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	<title>Viver Saúde</title>
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	<description>Seu novo portal de bem estar!</description>
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		<title>Uso de psicofármacos em crianças e adolescentes</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Jan 2011 16:48:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Boarati</dc:creator>
				<category><![CDATA[Psiquiatria]]></category>

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		<description><![CDATA[Apresentação Segundo dados da Organização Mundial de Saúde ¹, cerca de 20% das crianças e adolescentes sofrem de algum distúrbio mental. Entre os mais conhecidos temos o Autismo e o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Mas as crianças e adolescentes também podem sofrer de Depressão, Transtorno Bipolar,]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Apresentação</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Segundo dados da Organização Mundial de Saúde ¹, cerca de 20% das crianças e adolescentes sofrem de algum distúrbio mental. Entre os mais conhecidos temos o Autismo e o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Mas as crianças e adolescentes também podem sofrer de Depressão, Transtorno Bipolar, Esquizofrenia, Ansiedade, Pânico, Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) e outras menos conhecidas como a Síndrome de Gilles de la Tourette. Essas patologias mentais causam grande sofrimento para essas crianças e adolescentes, também para seus familiares.<br />
A Psiquiatria da Infância e Adolescência é a especialidade médica que cuida dessas condições clínicas.<br />
Muitas dessas condições possuem tratamento clínico com importante controle sintomático e muitas vezes, remissão do quadro, permitindo que essa doença não progrida, melhorando a qualidade de vida dessas crianças e jovens e evitando prejuízos do desenvolvimento emocional, cognitivo e social.<br />
Nesses casos o uso de medicação psicofarmacológica é essencial para um completo controle da doença, evitando sua progressão e cronificação.<br />
Para isso, no entanto, é necessário que a criança ou o adolescente seja avaliado por profissional capacitado, com ampla experiência clínica, para que o diagnóstico seja o mais bem feito e a escolha terapêutica mais acertada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Tratamento com medicação.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Como já salientamos, somente após avaliação clínica criteriosa e com o diagnóstico firmado é que devemos iniciar o tratamento medicamentoso, visando sintomas alvos e controle do quadro.<br />
Existem diferentes grupos de medicamentos chamados psicofármacos, que possuem indicação bem definida, com riscos e benefícios já estabelecidos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Antidepressivos:</strong><br />
Esse grupo de medicação, que inclui medicações mais antigas conhecidas como antidepressivos tricíclicos (como por exemplo, a imipramina e clomipramina) e os mais modernos como os inibidores da recaptação de serotonina (como por exemplo, a fluoxetina, sertralina, paroxetina, escitalopram e fluvoxamina) e os inibidores duplos (como a venlafaxina e a duloxetina), tem como indicação o tratamento da Depressão, dos Transtornos Ansiosos (incluindo Ansiedade Generalizada, Pânico e Fobias) e o TOC.<br />
Entretanto essa medicação necessita ser usada com bastante critério, dada ao risco de virada maníaca em crianças e adolescentes portadores de TB e que estejam em episódio depressivo ou que apresentem comorbidade com os Transtornos Ansiosos ou o TOC.<br />
Os únicos antidepressivos que são aprovados para o uso em crianças e adolescentes são fluoxetina, sertralina (para depressão e TOC), escitalopram (para depressão) e fluvoxamina e clomipramina (para TOC). Os demais não apresentam aprovação definitiva sendo o seu uso considerado “off-label”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Estabilizadores de Humor:</strong><br />
A indicação mais precisa desse grupo de medicações, que incluí o carbonato de lítio e alguns antiepilépticos como a carbamazepina e o divalproato de sódio, é o tratamento do TB.<br />
Entretanto, alguns estudos mostram benefício no uso desse grupo no uso de crianças e adolescentes com comportamento impulsivo de risco, agressividade e instabilidade do humor.<br />
O principal efeito colateral do lítio é aumento da enurese e da ingestão de água, alterações renais e tireoidianas e tremores. Os antiepilépticos podem produzir alterações de enzimas hepáticas e pancreáticas, alterações hematológicas, aumento de peso, sedação e alterações hormonais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Antipsicóticos:</strong><br />
Esse grupo medicamentoso se divide em dois grandes grupos: os mais antigos, também conhecidos como típicos ou clássicos compostos pelo haloperidol, clorpromazina, tioridazina e outros e o grupo dos chamados atípicos, que foram mais recentemente lançados, do qual fazem parte a risperidona, olanzapina, quetiapina, ziprasidona e aripiprazol.<br />
Eles são utilizados em quadros mais graves, com sintomas psicóticos como alucinações, delírios, agitação psicomotora grave.<br />
Os antipsicóticos atípicos também são aprovados como estabilizadores de humor no TB, mesmo na ausência de sintomas psicóticos.<br />
Em crianças e adolescentes apenas a risperidona, olanzapina, quetiapina e aripiprazol estão aprovados para o uso no TB e na esquizofrenia.<br />
Os antipsicóticos típicos apresentam como principal efeito colateral são os sintomas extrapiramidais que são compostos por rigidez muscular, dificuldade na marcha e inquietação (também chamada de acatisia), além da discinesia tardia (movimentos involuntários após longos anos de uso da medicação).<br />
Já os antipsicóticos atípicos apresentam como principais efeitos colaterais o aumento de apetite e peso, aumento da prolactina, sedação e alterações metabólicas (diabetes mellitus e aumento de triglicérides e colesterol)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Psicoestimulantes:</strong><br />
Nesse grupo o único representante no mercado brasileiro é o metilfenidato (Ritalina, Ritalina LA e Concerta). A sua indicação é o tratamento do TDAH, sendo considerado o tratamento mais eficaz para os sintomas de hiperatividade, impulsividade e desatenção presentes nesse quadro. Os principais efeitos colaterais são perda de apetite, alteração de sono e ocasionalmente cefaléia e dor abdominal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AVALIAÇÃO INICIAL E ACOMPANHAMENTO CLÍNICO</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Todo psicofármaco apresenta riscos e benefícios ao paciente. Uma vez feita à avaliação psiquiátrica completa e verificada a necessidade do tratamento medicamentoso, faz-se necessário uma avaliação física do indivíduo a fim de se descartar outras patologias médicas prévias e controlar o aparecimento de possíveis efeitos colaterais. Deve-se fazer um exame físico completo com medidas do peso e estatura (calculando o Índice de Massa Corporal (IMC) no início e ao longo do tratamento).<br />
É necessário exame bioquímico completo, incluindo hemograma, função renal, tireoidiana, enzimas pancreáticas e hepáticas, além da dosagem de prolactina, glicemia e perfil lipídico no caso do uso de antipsicóticos e ultrassom pélvico em meninas que irão fazer uso de divalproato de sódio.<br />
É necessário também solicitar ECG e EEG, para se verificar a presença de possíveis patologias cardíacas e neurológicas prévias ao tratamento.<br />
Dosagens séricas de lítio, carbamazepina e divalproato de sódio devem ser solicitadas periodicamente para controle.<br />
Os exames devem ser repetidos a cada 06 a 08 meses, dependendo de possíveis alterações que surjam e as essas alterações devem ser monitorizadas, sendo em alguns casos necessário a troca da medicação por outra que tenha um perfil de tolerabilidade mais adequado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>CONCLUSÃO</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Como pudemos ver, muitas vezes é necessário o uso de psicofármacos no tratamento de diferentes condições psiquiátricas que acometem crianças e adolescentes. É fundamental que esse tratamento seja feito por um profissional habilitado, após rigorosa avaliação clínica, com exames subsidiários e controles ao longo do tratamento. A escolha da medicação, ou de um esquema medicamentoso, deve visar à melhora clínica rápida e estabilização dos sintomas.<br />
O tratamento deve também estar associado ao tratamento psicoterápico (individual, grupo e familiar), terapia ocupacional, fonoterapia, reabilitação psicopedagógica e apoio psicossocial.</p>
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		<title>Transtornos de Humor e de Ansiedade na Infância e Adolescência.</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Jan 2011 16:47:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Boarati</dc:creator>
				<category><![CDATA[Psiquiatria]]></category>

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		<description><![CDATA[TRANSTORNOS DE HUMOR E DE ANSIEDADE NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA E SUAS IMPLICAÇÕES NA VIDA ACADÊMICA. Os transtornos psiquiátricos surgem na infância e adolescência numa proporção significativa, comprometendo o desenvolvimento global da criança e do adolescente. Eles podem ocorrer desde o nascimento como o retardo mental e o autismo infantil,]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>TRANSTORNOS DE HUMOR E DE ANSIEDADE NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA E SUAS IMPLICAÇÕES NA VIDA ACADÊMICA.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Os transtornos psiquiátricos surgem na infância e adolescência numa proporção significativa, comprometendo o desenvolvimento global da criança e do adolescente.<br />
Eles podem ocorrer desde o nascimento como o retardo mental e o autismo infantil, aparecer na primeira infância como o TDAH, transtornos de aprendizagem, transtornos de linguagem ou em qualquer época da vida do indivíduo como é o caso da esquizofrenia, transtornos do humor, transtornos ansiosos, dependência química, transtornos de conduta, opositor desafiante, etc. Todos eles em maior ou menor grau produzem diferentes prejuízos desde uma leve desadaptação social e acadêmica até as mais graves como envolvimento com a lei, infrações graves, suicídio e cronificação do estado psicopatológico.<br />
Apesar de uma incidência considerável (em torno de 20% segundo a Organização Mundial de Saúde), os transtornos psiquiátricos são ainda pouco explorados e também pouco conhecidos por parte dos diferentes profissionais ligados à infância e à adolescência. Dentre os grupos dos transtornos psiquiátricos da Infância e adolescência, os transtornos de humor e da ansiedade merecem um destaque especial pela importante incidência entre as crianças em fase escolar, prejuízos provocados no desenvolvimento das habilidades sociais, emocionais e acadêmicas e da possibilidade de tratamento e cura quando adequadamente diagnosticados e tratados.<br />
Os profissionais da educação possuem um papel fundamental no processo diagnóstico. São eles que muitas vezes observam alterações comportamentais e piora do padrão de aprendizagem dos conteúdos programáticos e que poderiam sugerir ou mesmo mediarem o encaminhamento dessa criança ou adolescente para uma avaliação psiquiátrica e psicológica.<br />
Este texto tem como principal finalidade alertar professores e educadores quanto aos principais diagnósticos de transtornos do humor e de ansiedade, bem como os sintomas mais prevalentes. Isso também possibilitará que se percebam dentro de sala de aula quais são os prejuízos observados no processo de aprendizagem quando uma criança ou adolescente encontra-se com o diagnóstico de alguma dessas psicopatologias, evitando-se a estigmatização do aluno.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>TRANSTORNOS DE HUMOR</strong></p>
<p style="text-align: justify;">São conhecidos como transtornos de humor as psicopatologias que afetam de maneira significativa o humor e os sentimentos do indivíduo. Dentre elas temos a depressão (ou Transtorno Unipolar) e o Transtorno Bipolar.<br />
Existem variações quanto ao tipo, intensidade e forma de evolução de cada uma delas. Entretanto o mais importante é ressaltar que o indivíduo portador de uma dessas patologias não consegue responder de forma esperada aos eventos externos, ou seja, existe uma resposta afetiva desadaptada e inconstante, podendo ser uma alteração aguda ou em estado cronificado.<br />
Para entendermos melhor do que se trata esse grupo de doenças psíquicas, basta lembrarmos que frente a diferentes situações ou momentos de vida, automaticamente apresentamos uma reação emocional. Ficamos tristes quando perdemos um parente ou um amigo, irritados quando o nosso time de futebol perde uma decisão, desanimados quando não somos reconhecidos em nosso trabalho, felizes e alegres quando recebemos um dinheiro ou um presente que não eram esperados. Todas essas são reações normais a essas situações que ocorrem no dia a dia.<br />
Entretanto o portador de um transtorno de humor reage de forma anômala a qualquer situação. Isso pode ocorrer com ou sem evento estressor presente. Por exemplo, um indivíduo em depressão fica triste sem motivo e por um longo período de tempo. Essa tristeza sempre é acompanhada por inúmeros outros sintomas como desprazer, cansaço, choro fácil, lentidão no pensamento e nas ações, irritação, falta de paciência, alteração do sono e do apetite e muitas vezes pensamentos de desesperança e idéias de morte. Um paciente portador do transtorno bipolar apresenta, quando em fase de mania, uma alegria exagerada, excesso de energia, vontade de fazer tudo ao mesmo tempo, pensa e fala rápido, sensação de ser o melhor de todos e um tempo depois, já em fase depressiva, apresenta sintomas depressivos importantes muitas vezes acompanhados de tentativas de suicídio. Tudo isso ocorre sem que nada ou quase nada possa justificar esses sentimentos.<br />
Para se fazer o diagnóstico de um transtorno de humor é importante que haja uma mudança significativa no humor do indivíduo, com tempo e intensidade suficientes para produzir sofrimento e problemas em sua vida de maneira global.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DOS TRANSTORNOS DE HUMOR</strong></p>
<p style="text-align: justify;">1) Depressão (também conhecido como transtorno unipolar ou transtorno depressivo) – Consiste numa mudança do humor de maneira acentuada e significativa, polarizando para um humor deprimido, acompanhado de tristeza, desânimo, choro fácil, desesperança, cansaço, falta de energia e de prazer, dificuldade com o sono ou perda de apetite e peso. Por vezes podem surgir dores físicas incapacitantes, pensamentos de morte e tentativas de suicídio. Esses sintomas surgem sem um evento desencadeante ou se este evento estiver presente, não justificaria a intensidade desses sintomas. É necessário também que tenha se passado pelo menos duas semanas com este quadro, sem que nada melhore e que não haja nenhuma alteração física confirmada (por exemplo, uma anemia ou hipotireoidismo) ou que o indivíduo tenha utilizado qualquer substância psicoativa que possa produzi-las (por exemplo, maconha ou álcool).</p>
<p style="text-align: justify;">2) Transtorno Bipolar – é uma patologia do humor de gravidade mais significativa, onde o seu portador apresenta fases ou ciclos. Ora o indivíduo está em depressão e em outros momentos está no que chamamos de mania. Quando o indivíduo está em mania ele fica extremamente feliz, eufórico, por vezes arrogante, com ar de superioridade em relação aos demais, acredita ser capaz de fazer tudo e se irrita quando alguém quer impedi-lo, há um aumento de energia física (e sexual), envolvimentos em situações perigosas e diminuição da necessidade de sono.<br />
Essa patologia também requer um tempo mínimo de uma semana na fase de mania e também um período na fase depressiva (que geralmente não é inferior a duas semanas). Ela é chamada de transtorno bipolar por apresentar dois pólos distintos de humor e o indivíduo em crise poderá estar em qualquer um desses pólos.<br />
Se essas são psicopatologias que produzem grande sofrimento e constrangimento a um adulto, imaginemos como isso será sentido quando surgir em uma criança ou adolescente, onde a maturidade emocional ainda não foi alcançada e muitas vezes é extremamente difícil para elas dizerem o que estão sentindo e porque mudam tanto o seu estado.<br />
Além disso, os sintomas tanto de depressão quanto de mania costumam serem intensamente sentidos e difíceis de serem definidos tanto pelas crianças e adolescentes quanto pelos pais e responsáveis. O que se percebe é que ela está diferente do seu humor habitual e que nada em seu cotidiano pudesse tê-la mudado daquela forma.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>TRANSTORNOS DE ANSIEDADE</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O medo é um dos mecanismos de defesa mais importantes da espécie humana. Sem ele estaríamos constantemente em risco a nossa vida e segurança.<br />
Quando vivemos uma situação de perigo real, apresentamos alterações físicas (aumento da frequência cardíaca e respiratória, tensão muscular, hipervilância, aguçamento dos órgãos dos sentidos) a fim de que avaliemos rapidamente a situação e definamos a melhor conduta a ser tomada (lutar ou fugir).<br />
Além disso, manteremos a lembrança dessa experiência para que não nos coloquemos novamente naquela situação ameaçadora.<br />
Entretanto quando apresentamos um medo despropositado àquele estímulo aversivo ou quando o perigo por ele identificado não é real, mas as reações ocorrem independentes da nossa vontade, estamos diante de um transtorno de ansiedade.<br />
Sendo assim, em resumo, um transtorno de ansiedade é uma sensação de medo extremo, com todas as alterações físicas proporcionadas por ela, sem uma razão real e justificada.<br />
É comum crianças terem medo do escuro, do “bicho papão” ou de ficarem sozinhas. Quanto mais novas, mais intenso será esse medo e a medida que elas se desenvolvem e vão ampliando seu mundo e se tornando mais seguras e confiantes, esses medos tendem a desaparecer.<br />
Em crianças vemos todos os tipos de patologias de ansiedade observados nos adultos como o pânico, ansiedade generalizada, agorafobia (medo de lugares com muita gente ou abertos) e fobias específicas.<br />
Mas existe um grupo de transtornos de ansiedade que surgem especificamente entre as crianças e que são desconhecidos de pais, professores e outros profissionais que cuidam de crianças que são a Ansiedade de Separação (medo de se afastarem dos pais ou de figuras de referência) e a Fobia Escolar (medo em ir para á escola).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>REPERCUSSÕES NA ESCOLA</strong></p>
<p style="text-align: justify;">São bastante significativas as repercussões que um transtorno de humor (depressão ou transtorno bipolar) ou de ansiedade acarreta na vida escolar da criança, mas também na vida social e familiar. Algumas crianças podem se recusar a irem para a escola de forma definitiva.<br />
Não é incomum que professores e orientadores pedagógicos comecem a perceber uma dificuldade no processo de aprendizagem e socialização que a criança e o adolescente passam a apresentar de uma hora para outra. A intensidade e gravidade desse comprometimento dependerão do quão significativo for o quadro psicopatológico apresentado.<br />
Na escola se observa uma importante queda no rendimento, piora dos relacionamentos e do comportamento. A participação em sala diminui as tarefas de casa não são realizadas, surgem dificuldades que antes não existiam (como dificuldade de leitura, escrita ou numérica) e muitas vezes, fica difícil entender o que está acontecendo com aquele aluno.<br />
É neste momento que o professor tem um papel fundamental no sentido de perceber que algo de anormal está acontecendo. Torna-se necessário chamar o coordenador responsável e marcar uma reunião com os pais.<br />
Entretanto muitas vezes ocorrem atitudes antecipadas, julgando-se tratar de uma fase que vai mudar e que necessitaria de apenas de uma advertência ou punição.<br />
Sendo assim, é fundamental que os educadores atentos a essa problemática orientem os pais a buscarem a ajuda necessária o mais breve possível, monitorando todos os passos do processo e observando a resposta ao tratamento.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>TRATAMENTO</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O tratamento adequado somente poderá ser instituído após criteriosa avaliação de profissionais especializados (psiquiatra e psicólogos especialistas em infância e adolescência). Dados relacionados ao desempenho escolar, relacionamento com pares e professores e o comportamento dentro e fora de sala de aula serão fundamentais no processo diagnóstico.<br />
O tratamento para qualquer transtorno de humor e também de ansiedade envolve, após o diagnóstico correto, o uso de medicações e psicoterapia. Muitas vezes demoram-se alguns meses (ou às vezes anos) para se conseguir uma remissão completa dos sintomas, principalmente no caso do transtorno bipolar, cuja estabilização do humor dependerá de um acerto de várias medicações simultamente, dado a complexidade e a gravidade dessa doença.<br />
Uma vez estabilizada a doença o indivíduo deverá voltar ao seu padrão pré-crise e suas perdas cognitivas e emocionais poderão ser recuperadas.<br />
O tratamento envolve a abordagem psicofarmacológica (uso de medicações adequadas), psicoterápicas (em diferentes abordagens e técnicas), orientação familiar, psicopedagógica e psicoeducacional.<br />
Somente com a integração de todos os membros envolvidos (paciente, família, escola e profissionais de saúde) é que se obtém os melhores e mais rápidos resultados na remissão e controle dos sintomas clínicos e do processo de reabilitação.</p>
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		<title>Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Jan 2011 16:46:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Boarati</dc:creator>
				<category><![CDATA[Psiquiatria]]></category>

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		<description><![CDATA[TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE E TRANTORNOS ESPECÍFICOS DA APRENDIZAGEM: PONTOS RELEVANTES AOS PAIS E EDUCADORES. Os Transtornos psiquiátricos atingem cerca de 20% das crianças e adolescentes segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Entretanto somente quando o comprometimento é mais severo, como ocorre nos Transtornos Invasivos]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE E TRANTORNOS ESPECÍFICOS DA APRENDIZAGEM: PONTOS RELEVANTES AOS PAIS E EDUCADORES.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Os Transtornos psiquiátricos atingem cerca de 20% das crianças e adolescentes segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Entretanto somente quando o comprometimento é mais severo, como ocorre nos Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (Autismo) e na Deficiência Mental (que varia de um grau mais leve a mais severo), eles não costumam ser considerados pelo público em geral, sendo também desconhecidos por profissionais que lidam com a população jovem como profissionais de saúde (pediatras, enfermeiros) e profissionais da educação (professores, educadores, psicopedagogos e psicólogos escolares).<br />
Dentre esses diagnósticos clínicos o de maior incidência é o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), seguido pelos Transtornos de Humor e de Ansiedade, Transtornos de Aprendizagem, Transtorno de Conduta e Desafiador de Oposição e os Transtornos de Dependência a Múltiplas Drogas. Em menor escala encontramos os Transtornos Alimentares, Esquizofrenia, Transtornos do Desenvolvimento Emocional, etc.<br />
O desconhecimento por parte desses profissionais desta gama de quadros psicopatológicos que pode acometer uma criança ou adolescente leva a uma estigmatização desta dentro de seu meio social, principalmente na escola e, consequentemente a uma marginalização precoce deste indivíduo durante o seu processo de desenvolvimento.<br />
Além disso, o diagnóstico e tratamento precoces são postergados e muitas vezes quando se procura um atendimento especializado, as seqüelas já são significativas a ponto de comprometerem definitivamente a estrutura psíquica e social do indivíduo.<br />
Este texto não tem a pretensão de explorar completamente todos os aspectos que envolvem os Transtornos Psiquiátricos da Infância e Adolescência, pois isso somente seria possível dentro de um livro ou de uma coleção deles (ou seja, um Tratado de Psiquiatria Clínica).<br />
Tendo em vista o presente evento, proponho-me a discutir os principais pontos de alguns destes transtornos com o intuito de auxiliá-los no possível diagnóstico, quando há a necessidade de um encaminhamento e os principais tipos de tratamentos.<br />
Dada a complexidade de alguns assuntos e a maior incidência de algumas patologias em relação a outras, faço um breve relato dos seguintes quadros:</p>
<p style="text-align: justify;">1) Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH);</p>
<p style="text-align: justify;">2) Transtornos Específicos da Aprendizagem (Dislexia, Disgrafia e Discalculia);</p>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente deixaremos para futuras explanações outras psicopatologias como os Transtornos de Humor (Depressão e Transtorno Bipolar), Transtornos de Ansiedade (Fobia Escolar, Fobia Social, Ansiedade de Separação), Transtornos Disruptivos (Transtorno de Conduta, Transtorno Desafiador de Oposição (TDO), Transtorno de Dependência ao Álcool e Múltiplas Drogas), Psicoses, entre outros.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE (TDAH)</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Essa é psicopatologia que depois da Deficiência Mental acomete um maior número de crianças. Não há dados nacionais sobre a sua prevalência, mas dados mundiais falam em torno de 5 a 13% das crianças em idade escolar.<br />
Logo nos primeiros anos de vida da criança ,nota-se alterações em seu processo de desenvolvimento neurológico e emocional. Quando conversamos com os pais (principalmente as mães que estão a maior parte do tempo com a criança) há relatos de que as mesmas são mais irritadiças, chorando muito nos primeiros anos de vida, apresentando um sono movimentado e acordando várias vezes na noite. Muitas relatam que mesmo intra-útero as crianças se mexiam muito.<br />
Desde os primeiros passos a criança com TDAH é mais agitada do que outras de sua idade, mexem em tudo, não conseguem parar nem mesmo para fazer as refeições. Quebram seus brinquedos, brincam de maneira ruidosa e com várias atividades ao mesmo tempo. Perdem o interesse rapidamente por aquilo que desejam intensamente e machucam-se com freqüência. Dessa forma precisam ser monitoradas a todo o momento e em todos os locais.<br />
Como sofrem mais acidentes, o custo médico anual médio dos jovens é duas vezes maior que aqueles que não são portadores de TDAH.<br />
Muitas vezes os sintomas passam despercebidos para os pais, mas quando a criança entra na escola e necessitam permanecerem muitas horas paradas e atentas a uma só atividade, esses sintomas se tornam mais evidentes e consequentemente as queixas escolares se tornam constantes.<br />
As crianças com TDAH podem desenvolver algumas dificuldades de linguagem como distúrbios da fala, atraso na aquisição da linguagem e distúrbios da competência comunicativa.<br />
As crianças apresentam dificuldade em permanecerem sentadas na sala de aula e prestar atenção na matéria que está sendo ministrada. São muito agitadas, falantes, mexem com os demais colegas, são impulsivos (agem sem pensar) e muitas vezes “pavio curto”.<br />
Outras crianças apresentam como principal dificuldade a concentração. Erram constantemente por descuido, não conseguem prestar atenção a detalhes, são desorganizadas nas tarefas e no cuidado com seus objetos (constantemente esquecem tarefas e materiais para os trabalhos escolares). Essas crianças necessitam de um grande esforço mental para se lembrarem de seus compromissos e obrigações, perdem o contexto daquilo que lêem ou estão fazendo. Pequenos estímulos externos a distraem de uma função principal que estejam desenvolvendo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>TIPOS DE TDAH</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nem todas as crianças e adolescentes portadores de TDAH são iguais, pois, existem três tipos básicos que são:</p>
<p style="text-align: justify;">1) Tipo Hiperativo e Impulsivo – Nessas crianças predominam os sintomas de hiperatividade e impulsividade, ou seja, são agitadas, inquietas, correm o tempo todo e estão “a mil por hora” fazem várias coisas ao mesmo tempo sem conseguirem concluir nenhuma delas, não conseguem esperar a sua vez, interrompem a conversa alheia e muitas vezes respondem com agressividade quando contrariadas;<br />
2) Tipo Desatento – Essas crianças muitas vezes são quietas e passam despercebidas na sala de aula. São desligadas, distraídas, constantemente chamadas de “avoadas” e de que “vivem no mundo da lua”. Esquecem detalhes importantes, erram por distração e rapidamente esquecem o que tinham para fazer;<br />
3) Tipo Misto – onde existe a presença de ambos os sintomas simultaneamente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>DIAGNÓSTICO CLÍNICO</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A condição necessária para que se faça o diagnóstico é a presença de pelo menos 06 sintomas de Hiperatividade/Impulsividade e/ou Desatenção antes dos 07 anos de vida e que estejam presentes em pelo menos 02 ambientes distintos (por ex: em casa e na escola), produzindo sérios prejuízos pessoais, sociais, familiares e escolares para a criança ou adolescente. Cabe reforçar que a presença dos sintomas não se dá por situações de estresse ou condições médicas e psiquiátricas outras, bem como o uso de substâncias psicoativas (que agem no Sistema Nervoso Central com medicamentos, álcool e drogas ilícitas).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>ETIOLOGIA</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não há uma causa única para a presença do transtorno, mas sabe-se que há alterações cerebrais em regiões responsáveis pelo controle motor, organização dos processos mentais, atenção, planejamento, desenvolvimento de estratégias e execução de tarefas, além da sensação de satisfação e realização. Essas funções cerebrais conhecidas como Funções Cognitivas estão principalmente localizadas na região do córtex pré-frontal.<br />
Existe uma forte base genética no processo, dessa forma muitas vezes fazemos o diagnóstico em outros membros da família após avaliarmos a criança.<br />
Também há relação com situações de traumas no parto, mas esses dados são pouco conclusivos<br />
Não há relação com dietas ou medicamentos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>RISCO DO NÃO DIAGNÓSTICO</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Devido ao seu comportamento alterado com importantes prejuízos na vida social e acadêmica, o não diagnóstico correto produz uma série de diferentes conseqüências para a criança e adolescente ao longo de toda a sua vida.<br />
Muitas vezes a mesma é considerada em seu meio como um problema incorrigível. Essa criança irá desenvolver uma baixa auto-estima, produzindo quadros depressivos, ansiosos e de uma auto-imagem negativa.<br />
Devido ao seu fraco desempenho acadêmico, há um maior abandono da escola e constantes repreensões, suspensões e expulsões.<br />
Essas crianças e adolescentes serão mais propensos a buscarem no meio marginal a aceitação que não encontram em seu meio e por serem extremamente habilidosas, versáteis, criativas e destemidas se tornam presas fáceis para o crime, violência e drogas.<br />
Cabe ressaltar que o TDAH é um quadro de evolução crônica (70% dos indivíduos com TDAH na infância mantêm os sintomas na vida adulta, principalmente sintomas de desatenção).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>TRATAMENTO PARA O TDAH</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Por se tratar de uma doença que afeta vários aspectos da vida e do funcionamento da criança e adolescente, o tratamento envolve uma diversidade de profissionais especializados.<br />
O tratamento dos sintomas de hiperatividade, desatenção e impulsividade necessita do uso de medicamentos específicos. No nosso meio os psicoestimulantes são os mais eficazmente utilizados. O mais conhecido é o metilfenidato (Ritalina, Ritalina LA, Concerta) a serem prescritos apenas pelo médico especialista que após o diagnóstico clínico e avaliação das condições de saúde da criança e adolescente poderá prescrevê-los com segurança, ajustando as doses ao longo do acompanhamento.<br />
Além disso, essas crianças apresentam dificuldades escolares, de desenvolvimento de linguagem, emocionais e familiares que se desenvolveram pelo longo período sem o diagnóstico, sendo muitas vezes necessário o tratamento psicológico (psicoterapia individual e familiar), psicoeducacional, psicopedagógico e fonoaudiológico.<br />
Apenas um trabalho multidisciplinar poderá compor o tratamento ideal para as crianças e adolescentes portadoras de TDAH.<br />
O mais importante ponto a ser realçado é de que essas crianças e adolescentes apresentam muitas vezes talentos especiais, inteligência acima da média, são afetivas e conseguem aprender com grande facilidade depois que o diagnóstico é feito corretamente e a terapêutica instalada. Dessa forma é necessário atenção dos educadores, professores e demais profissionais de saúde a essa condição que é bastante incidente em nosso meio.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>TRANSTORNOS ESPECÍFICOS DA APRENDIZAGEM ESCOLAR</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Os distúrbios da aprendizagem escolar são diagnosticados como Transtornos Específicos das Habilidades Escolares. Entre eles estão os Transtornos de Leitura (Dislexia, Distúrbio do Soletrar), Transtornos da Expressão Escrita (Disgrafia) e Transtornos de Matemática (Discalculia).<br />
É importante ressaltar que diferentes processos podem interferir no processo de aprendizagem, entre eles questões emocionais, fadiga, problemas orgânicos e outros distúrbios físicos, deficiência mental, inadequação na escolaridade (por estarem em um nível escolar acima de suas capacidades atuais).<br />
Já os Transtornos Específicos das Habilidades Escolares são um grupo de transtornos bastante específicos, que necessitam para que sejam diagnosticados que se tenha descartado as condições anteriores.<br />
Uma vez feito essas considerações podemos nos aprofundar nos critérios diagnósticos dessas patologias:</p>
<p style="text-align: justify;">1) Dislexia – é um comprometimento específico e significativo no desenvolvimento das habilidades de leitura, o qual não é unicamente justificável por idade mental, problemas de acuidade visual ou escolaridade inadequada.<br />
A habilidade de compreensão da leitura, o reconhecimento de palavras, a habilidade de leitura oral e o desempenho de tarefas que requerem leitura podem estar bastante afetados.<br />
O desempenho escolar é sempre abaixo do esperado para o nível no qual a criança se encontra.<br />
Trata-se de uma patologia pleomórfica, com diferentes características clínicas e agentes causais, a maioria ainda desconhecidos.<br />
A incidência varia entre 4 a 20%, sendo maior entre os meninos (oito meninos para uma menina).<br />
As principais alterações apresentadas seriam relacionadas a omissões, substituições, distorções e adições de palavras ou parte das palavras. Também pode haver inversões de palavras dentro da frase, com consequente incompreensão do que está sendo lido. O disléxico não consegue compreender o que está lendo, lembrar daquilo que acabou de ler. Muitas vezes tenta adivinhar o que lê ou tirar conclusões a partir de fatos já conhecidos.<br />
Eles apresentam dificuldade de soletrar, apresentam uma leitura mais lenta e cometem erros fonéticos.<br />
As principais causas relacionadas seriam fatores genéticos, encefalopatias e lesões cerebrais orgânicas adquiridas.</p>
<p style="text-align: justify;">2) Disgrafia ou Disortografia – é um comprometimento específico do desenvolvimento da escrita expressiva. O desempenho da criança na escrita expressiva deve estar abaixo de maneira significativa daquilo que é esperado para sua idade, inteligência global e colocação escolar.<br />
Pode ser uma dificuldade isolada ou acompanhada por distúrbio da leitura. Quando o quadro é isolado a criança lê perfeitamente, mas não consegue copiar, ou quando, após longo tempo, aprende a copiar, não consegue fazer ditado por não ter o modelo na frente.<br />
Muitas vezes parece que a criança escreve, mas após algum tempo ela mesmo não consegue compreender seus “garranchos” e por vezes tenta memorizar ou inventar o conteúdo que escreveu.<br />
Algumas vezes escreve de trás para frente ou em imagem especular, só sendo decifrada a escrita quando colocada à frente de um espelho.<br />
É comum trocar “p” por “q” ou “u” por “n”. No caso da língua portuguesa algumas regras básicas de ortografia não são respeitadas (que chamamos de disortografia). Os erros grosseiros sempre chamam a atenção dos professores para o problema. Entretanto muitas vezes são os erros mais leves na escrita (assim como na leitura) que acarretam problemas escolares e disciplinares para a criança. Isso porque os professores podem acreditar que se trata de um erro proposital, uma vez que já tenha sido inúmeras vezes corrigido.</p>
<p style="text-align: justify;">3) Distúrbio Específico do Soletrar – o desempenho da criança no soletrar deve estar significativamente abaixo do nível exigido por sua inteligência, idade ou escolaridade.<br />
A criança não é capaz de soletrar a palavra, mesmo que reconheça as letras.<br />
Troca sílabas, substitui letras, omite letras ou palavras, inverte as letras e, algumas vezes, tenta ler de trás para frente.<br />
O aluno é bom em conhecimentos gerais, história, geografia e matemática, mas os problemas surgem no momento em que precisa ditar ou soletrar.<br />
Por mais que os educadores insistam essas pequenas dificuldades são difíceis de vencer e os erros persistem, levando a castigos disciplinares e problemas secundários de baixa auto-estima;</p>
<p style="text-align: justify;">4) Transtorno Específico das Habilidades Aritméticas &#8211; Pode se apresentar de duas maneiras: dificuldade para ler ou escrever os números, ainda que haja facilidade para realizar os cálculos abstratos mentalmente; incapacidade para efetivação de cálculos (discalculia).<br />
É comum a escrita especular do número, além disso, pode ocorrer:<br />
a) Falha em entender os conceitos aritméticos e realizar as operações propostas;<br />
b) Falha no entendimento dos sinais matemáticos;<br />
c) Falha em entender os símbolos numéricos;<br />
d) Dificuldades em realizar manipulações aritméticas padronizadas;<br />
e) Dificuldade em entender quais números são relevantes no problema aritmético em questão;<br />
f) Dificuldades em alinhar números apropriadamente;<br />
g) Dificuldade em inserir pontos decimais ou símbolos durante os cálculos;<br />
h) Incapacidade em aprender adequadamente a tabuada;<br />
Ao contrário do que ocorre na dislexia e disgrafia, a discalculia é mais comum entre as meninas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>TRATAMENTO PARA OS TRANSTORNOS ESPECÍFICOS DA APRENDIZAGEM</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O tratamento fundamental para a dislexia e os demais Transtornos Específicos da Aprendizagem é através da abordagem psicopedagógica, com técnicas específicas, de forma individualizada para cada criança.<br />
Muitas vezes é necessária uma intervenção multiprofissional, composta pelo atendimento psicológico, fonoaudiológico, psicomotricista e médico.<br />
Não existe um tratamento único e definitivo. A criança e a família passam a compreender e a lidar com o problema de forma direta e sem ressalvas. Além disso, os professores devem ser orientados a buscar alternativas para o desenvolvimento do aprendizado dos conteúdos, além de formas alternativas de avaliação (por exemplo, prova oral).<br />
Assim como no TDAH é fundamental o diagnóstico e a intervenção precoce, a fim de evitar prejuízos a longo, além de conseguir corrigir distorções e evitar sofrimento desnecessário.<br />
Buscar ajuda adequada é determinante no sucesso do processo educacional e na completa formação da criança e do adolescente como cidadão integrado à sociedade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LEITURAS RECOMENDADAS</strong></p>
<p><em>1) PRINCÍPIOS E PRÁTICAS EM TDAH (TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE) LUIS AUGUSTO ROHDE E PAULO MATTOS E COL. (ARTMED)<br />
2) DISTÚRBIOS NEURÓTICOS DA CRIANÇA (PSICOPATOLOGIA E PSICODINÂMICA) HAIM GRUNSPUN (ATHENEU)<br />
3) NO MUNDO DA LUA PAULO MATTOS (LEMOS EDITORIAL)<br />
4) PSICOFARMACOLOGIA DA CRIANÇA (UM GUIA PARA PAIS E PROFISSIONAIS) MARCOS TOMANIK MERCADANTE E LAWRENCE SCAHILL;<br />
5) TDAH: Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade ao longo da vida – Mario Rodrigues Louzã Neto e colaboradores pela Editora Artmed (2009);<br />
6) A Mente do seu filho: como estimular as crianças e identificar os distúrbios psicológicos na infância – Fabio Barbirato e Gabriela Dias da Editora Agir;<br />
7) ABD – Associação Brasileira de Dislexia (abdilexia@uol.com.br)</em></p>
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		<title>Suicídio na Infância e na Adolescência.</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Jan 2011 16:45:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Boarati</dc:creator>
				<category><![CDATA[Psiquiatria]]></category>

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		<description><![CDATA[INTRODUÇÃO O suicídio entre a população infanto-juvenil torna-se em alguns países como os Estados Unidos e Japão, a principal causa mortis entre indivíduos dessa faixa etária, tornando-se um problema de saúde pública nessas circunstâncias. A prevalência, assim como em outras faixas etárias, é de indivíduos do sexo masculino e a]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O suicídio entre a população infanto-juvenil torna-se em alguns países como os Estados Unidos e Japão, a principal causa mortis entre indivíduos dessa faixa etária, tornando-se um problema de saúde pública nessas circunstâncias.<br />
A prevalência, assim como em outras faixas etárias, é de indivíduos do sexo masculino e a intervenção mais importante a ser feita é nas tentativas e na ideação suicida.<br />
A intenção suicida é freqüentemente difícil de definir principalmente entre os pré-adolescentes, pois o desejo de morrer não está muito claro para esse jovem, de forma que ele pode não demonstrar qualquer alteração de seu comportamento poucos dias antes da tentativa. É importante que o profissional que faça o atendimento dessa criança ou adolescente suspeite do comportamento suicida frente a qualquer manifestação de auto-injúria, não se levando em conta o método utilizado ( toda e qualquer tentativa de atos autoprejudiciais devem ser considerados).<br />
O desejo de causar a morte é o objetivo básico para o comportamento suicida, mas muitas vezes a morte não é vista como definitiva, principalmente para uma criança pequena. Por exemplo, uma criança de 07 anos pode compreender que seu cachorrinho morreu e que por isso não está mais vivo, mas não entender que se ela morrer não poderá voltar a viver novamente. Isso significa que a criança pode compreender que o melhor seria morrer em um momento de grande sofrimento, mas que esse processo poderia ser reversível.<br />
Crianças e adolescentes utilizam métodos que podem ser tornam freqüentemente letais, como a intoxicação exógena, armas de fogo, sufocação, atropelamento, queimaduras, enforcamento. Outras vezes podemos observar tentativas de suicídio em situações cotidianas como acidentes domésticos freqüentes. A elaboração do suicídio será tanto mais complexa quanto maior o acesso que a criança ou adolescente tiver a métodos mais eficazes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AUTÓPSIA PSICOLÓGICA</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A autópsia psicológica diz respeito ao inquérito retrospectivo nos casos de suicídio, tentativas ou comportamentos automutilatórios. Podem ser relatos de pessoas próximas, análise de conteúdos de bilhetes, e-mails ou tarefas escolares recentes, aplicação de testes psicológicos e entrevistas estruturadas. Essa investigação se mostra muito útil para se detectar fatores desencadeantes, riscos de novas tentativas, presença de psicopatologias, estressores psicológicos e sociais. Entretanto muitas vezes tais dados são de difícil obtenção principalmente nos inquéritos familiares onde questões da problemática da dinâmica familiar, sensação de impotência, vergonha e raiva, acabam por impedir uma avaliação completa de todo o processo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>ETIOLOGIA</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A autópsia psicológica permite, através do estudo dos registros deixados ou pela entrevista feita por pessoas próximas ao falecido, a compreensão das possíveis causas que motivaram o suicídio.<br />
Dentre os diferentes achados encontra-se alta incidência de abuso de substâncias psicoativas, principalmente álcool, maconha e cocaína; presença de transtornos afetivos (depressão e transtorno bipolar do humor); transtornos anti-sociais e borderline de personalidade e tentativas prévias de suicídio.<br />
Foi também encontrada alta correlação entre o suicídio de jovens e a presença de auto-avaliação negativa, falta de esperança, insônia e anedonia (falta de<br />
prazer).<br />
A dinâmica familiar e interpessoal apresenta um importante papel na gênese do comportamento suicida entre crianças e jovens. É significativa a associação entre esse comportamento e a presença de perturbação psiquiátrica entre membros da família.<br />
Estudos demonstram alta prevalência de doenças mentais e clínicas e história de suicídio e tentativas de suicídio entre familiares de crianças e adolescentes suicidas quando comparadas com o grupo controle. As psicopatologias mais freqüentes entre os familiares de adolescentes que tentaram suicídio eram abuso de álcool e drogas, comportamento agressivo e relacionamentos instáveis.<br />
A violência (física e sexual) foi descrita como um forte fator de risco para o comportamento suicida em crianças e adolescentes<br />
Há também alguns estudos mostrando a correlação entre o comportamento suicida da criança e o do jovem e a dinâmica da família de culpabilizar esse indivíduo por todos os problemas que a família enfrenta, levando-o a acreditar que deve morrer para livrar a família de todo o mal (conceito de “criança dispensável”).<br />
Os fatores socioculturais são questões importantes que afetam o risco do suicídio juvenil. Questões como o sucesso escolar, mudanças sociais ocorrendo de forma abrupta e características culturais específicas podem explicar as diferentes incidências de suicídio em várias partes do mundo.<br />
Vários exemplos podem ser utilizados como a alta taxa de suicídio entre jovens japoneses que não conseguem atingir o sucesso nos exames vestibulares, ou o mais fácil acesso a armas de fogo nos Estados Unidos. Outro importante exemplo desse processo sociocultural seria o efeito de imitação onde há veiculação, através dos meios de comunicação, de casos de suicídio juvenil, aumentaram a incidência de suicídio nessa mesma faixa etária.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>AVALIAÇÃO CLÍNICA</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A avaliação do comportamento suicida juvenil envolve entrevistas abrangentes com o jovem suicida e seus pais, a coleta de informações o mais detalhada possível, levantamento dos fatores de risco e da gravidade de novas tentativas.<br />
A tabela abaixo relaciona alguns parâmetros que sugerem alto e baixo risco de comportamento suicida em crianças e adolescentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Parâmetro Alto Risco Baixo Risco<br />
Previsibilidade do<br />
Jovem Baixa Alta<br />
Circunstância do Sozinho Próximo a alguém<br />
Comportamento Planejado (-) planejados<br />
Suicida Métodos Método<br />
Baixa letalidade<br />
Letais<br />
Intenção de<br />
Morrer Alta Baixa<br />
Psicopatologia Presente Ausente ou leve<br />
Grave<br />
Mecanismos de<br />
Enfrentamento Fraco julgamento Bom julgamento<br />
Fraco controle Bom controle<br />
Impulsos Impulsos<br />
Alta desesperança baixa desesperança<br />
Alta impotência Baixa impotência<br />
Comunicação Fraca ou ambivalente Boa, clara<br />
Apoio Familiar Inconsistente Consistente<br />
Estresse Ambiental Alto Baixo</p>
<p style="text-align: justify;">O aspecto mais importante da avaliação é o de determinar o grau de perigo imediato para a criança ou adolescente, a circunstância na qual ela se encontra, a intenção de morrer ou provocar o ferimento, o grau de planejamento do ato suicida e até onde o socorro pode alcançar. O acesso a métodos letais como armas de fogo devem ser verificados com precisão.A análise das condições familiares e ambientais também são de suma importância. Deve ser verificado o grau de estruturação dessa família, a presença de estressores sociais, a possibilidade de continência do meio.<br />
A avaliação dessas condições determinará a conduta a ser tomada, podendo se optar pela internação hospitalar caso se evidencie risco eminente de suicídio e/ou falta de suporte familiar.<br />
O diagnóstico diferencial do comportamento suicida em uma criança ou adolescente implica em definir se a presença de lesões corporais ou acidentes sofridos são ou não intencionais.Como essas situações são muitas vezes difíceis de se determinar com clareza deve-se considerar a possibilidade de se tratar de uma tentativa de suicídio com risco considerável, devendo-se definir com rapidez a melhor conduta terapêutica.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>TRATAMENTO</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A questão principal no tratamento é diminuir as conseqüências de uma lesão auto-infligida ou a morte da criança ou adolescente. Muitas vezes em caráter emergencial a internação psiquiátrica será necessária quando não houver condições de seguimento ambulatorial ou se a intervenção terapêutica precisar ser intensiva.<br />
As intervenções psicoterapêuticas devem primar pela criação de uma atmosfera de confiança, empatia e respeito pelo sofrimento psíquico que motivaram a criança ou o jovem a cometer o suicídio. Em algumas circunstâncias a utilização de psicofármacos pode ser necessária, com o intuito de reduzir sintomas de transtornos psiquiátricos como depressão, ansiedade, impulsividade, labilidade do humor ou sintomas psicóticos.<br />
A intervenção no ambiente familiar é de suma importância. Aproximar os familiares do paciente, trabalhar as dificuldades que permeiam as relações, promover um diálogo franco, orientar sobre possíveis sinais futuros de novas tentativas procurando evitar dentro do cerne da família a idéia que ideação ou tentativa de suicídio tem um caráter exibicionista (chamar a atenção), pois esse gesto pode indicar um pedido de socorro.<br />
O tratamento deve também focar a prevenção de novas tentativas, procurando identificar possíveis fatores de risco na criança e no jovem, no seu ambiente e nas pessoas que o cercam.<br />
Algumas experiências com adolescentes voluntários mostraram eficácia. Após o salvamento do suicida, adolescentes amigos e colegas de escola passam a participar ativamente da vida em família, mudando a dinâmica familiar. A introdução programada desses amigos que passam a viver juntos por horas seguidas, sempre que possível, previne novos atos suicidas, pelo menos a curto prazo. Essa intervenção promove um espaço no ambiente dessa criança ou adolescente onde ela poderá sentir-se apoiada, aceita, respeitada, podendo trazer a tona sentimentos ambivalentes de raiva, culpa, medo, vergonha.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>CONCLUSÃO</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Muitas conclusões podem ser tiradas das experiências no atendimento de crianças e adolescentes suicidas. Identificar fatores de risco, sensibilizar familiares e profissionais que atendem a essa população (professores, orientadores pedagógicos, médicos pediatras e hebiatras, outros profissionais de saúde, agentes da comunidade) a ficarem atentos a sinais de ideação ou tentativas de suicídio na infância e adolescência; intervenção precoce e eficaz, além de medidas para prevenir novas tentativas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</strong></p>
<p><em>1) Melvin Lewis. Tratado de Psiquiatria da Infância e Adolescência.<br />
Tentativa de Suicídio em Crianças e Adolescentes: Causas e Manejo. Ed.Artes Médicas; 1995, p 677-685;<br />
2) Haim Grunspun. Crianças e Adolescentes com Transtornos Psicológicos e do Desenvolvimento.<br />
Suicídio na Adolescência – Fatores de Risco. Ed.Atheneu, 1999, p 187-192;<br />
3) Alexandrina Meleiro, Chei Tung Teng, Yuan Pang Wang. Suicídio-estudo fundamentais. Segmento Farma, 2004, p 97-108.</em></p>
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		<title>Transtorno bipolar na infância e na adolescência é difícil de diagnosticar?</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Jan 2011 16:42:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Boarati</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O transtorno bipolar (TB) é uma psicopatologia caracterizada por alterações graves no humor e que cursa com fases de mania (períodos de humor eufórico, grandiosidade, aumento de energia, alegria extrema, etc) alternando com episódios de depressão. O TB é um quadro que impacta o indivíduo e seu círculo social, comprometendo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O transtorno bipolar (TB) é uma psicopatologia caracterizada por alterações graves no humor e que cursa com fases de mania (períodos de humor eufórico, grandiosidade, aumento de energia, alegria extrema, etc) alternando com episódios de depressão. O TB é um quadro que impacta o indivíduo e seu círculo social, comprometendo seu funcionamento global, relacionamento familiar e social, além de provocar prejuízos ocupacionais. O diagnóstico do quadro é complicado em adultos, levando em média 10 anos para se realizado, pois normalmente ocorre predominância de fases depressivas, o que induz ao erro os profissionais de saúde envolvidos no tratamento desses indivíduos. Em crianças e adolescentes o desafio pode ser ainda maior, pois as fases não são muito bem definidas.</p>
<p style="text-align: justify;">O TB de início na infância e adolescência, normalmente, está associado a outras comorbidades. Ele pode se instalar paralelamente a um transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtornos de conduta, transtornos ansiosos ou mesmo com transtornos alimentares.</p>
<p style="text-align: justify;">O tratamento nesses casos precisa ser muito específico, pois os transtornos associados podem mascarar o diagnóstico de TB. “O primeiro problema a ser resolvido nesses indivíduos é a estabilização do TB, pois a partir do controle deste é que se sabe a extensão da comorbidade”, diz o especialista. Além disso, deve envolver a abordagem psicoterápica, terapia familiar, fonoterapia e reabilitação pedagógica.</p>
<p style="text-align: justify;">Diferentemente dos adultos, o TB na infância e na adolescência esbarra em peculiaridades relacionadas à fase de desenvolvimento em que a criança ou o adolescente se encontra: de um lado as crianças, muitas vezes, não conseguem descrever o que sentem. Já na adolescência, uma idade crítica por natureza, o transtorno se confunde com os dramas da fase e pode ser agravado por fatores como a convivência social com indivíduos desajustados.</p>
<p style="text-align: justify;">Idades diferentes, fases diferentes</p>
<p style="text-align: justify;">“As crianças apresentam dificuldades em falar com clareza sobre os próprios sentimentos, o que pode dificultar, para os pais e para os profissionais que as acompanham, a identificação imediata da doença. Definir episódios depressivos ou maníacos nesses indivíduos fica ainda mais difícil. O que vai denotar o transtorno, muitas vezes, é quando se nota uma mudança no padrão de comportamento dessa criança, como por exemplo, a apatia e o desinteresse por brincadeiras ou mudanças no padrão de sono e de alimentação”,</p>
<p style="text-align: justify;">A “ciclagem” – alteração entre as fases – nas crianças pode ser muito rápida, havendo alternância entre as fases em questão de horas ao longo do dia. “A criança pode estar apática durante a manhã e logo depois eufórica, brincando, correndo. Isso confunde quem observa e dificulta a procura por ajuda especializada. Entretanto, quando se tem ideia de que pode se tratar de um transtorno, é possível que os pais ou responsáveis busquem auxílio.</p>
<p style="text-align: justify;">Na adolescência, entretanto, a coisa se complica. Para os adolescentes, arriscar e desafiar o novo, buscando novas sensações é um padrão comum de funcionamento, sendo visto como parte integrante daquela fase da vida. Além disso, outros quadros psicopatológicos comuns na adolescência, como o transtorno de conduta, também apresentam comportamento semelhante ao observado em um adolescente bipolar em fase de mania, como por exemplo, a presença de agressividade, impulsividade e de quebra de regras,</p>
<p style="text-align: justify;">Por conta dessa impulsividade e agressividade extremada, esses adolescentes bipolares podem acabar sendo isolados pelos pares – o inverso do que acontece com as crianças bipolares, que optam por se isolar. Esse isolamento social pode ser um fator complicador, pois esse indivíduo pode acabar procurando refúgio em círculos sociais (turmas de amigos) mais desajustados.</p>
<p style="text-align: justify;">Os adolescentes com esse comportamento ‘transgressor’ acabam se solidarizando. No geral, isso é ruim, pois os membros do grupo podem acabar compartilhando e reforçando os comportamentos de risco uns dos outros, como o abuso de álcool e outras drogas, ou mesmo o comportamento violento e antissocial.</p>
<p style="text-align: justify;">Adesão ao tratamento pode ficar comprometida nos adolescentes</p>
<p style="text-align: justify;">Na adolescência, a independência e proatividade também são mais salientes. Isso quer dizer que a adesão ao tratamento para o transtorno não depende apenas dos pais. As crianças mais novas são levadas pelos pais, que acompanham de perto a evolução. Nos adolescentes, isso se complica, pois os pais, por vezes não conseguem ter ascensão sobre os adolescentes, deixando-os “mais soltos”. Se um adolescente resolver faltar à sessão ou interromper o tratamento, os pais poderão apresentar mais dificuldades, não conseguindo valer da autoridade e forçá-los a voltar.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso, os pais devem ficar mais atentos nas fases iniciais da doença e do tratamento, pois a continuidade na intervenção é mais fácil quando esses indivíduos já estão mais estáveis. Lembrando que o transtorno bipolar do humor não tem cura, mas pode haver remissão do quadro. A condição pode ser estabilizada, mas isso não exclui a volta de novas oscilações ao longo da vida. O acompanhamento deve ser permanente e o indivíduo conscientizado da importância do seu comprometimento com o tratamento. Os pais e o paciente devem estar atentos essa condição”.</p>
<p style="text-align: justify;">Vida acadêmica é um indicador importante</p>
<p style="text-align: justify;">Para os pais, fica a dica: acompanhar o histórico escolar dos filhos – não somente as notas, mas as alterações de comportamento, padrão de sociabilidade, respeito às regras e figuras de autoridade. Esses são dados fornecidos pelos professores e coordenadores pedagógicos e que podem muito auxiliar no diagnóstico – é o melhor indicador de transtornos mentais que possam vir a se instalar, especialmente o TB.</p>
<p style="text-align: justify;">O ambiente escolar é um local externo do convívio familiar, e acompanhar a evolução dos filhos nesse ambiente é importantíssimo: as alterações de comportamento observados na escola podem dizer muito sobre a saúde mental das crianças. Se as notas caem repentinamente, a criança não se concentra ou mesmo ocorre uma regressão no processo de aprendizagem, isso pode ser indicativo de alguma alteração. Nesses casos é importante uma avaliação de um profissional de saúde mental, especialista em crianças e adolescentes, pois como vemos, o conhecimento sobre as especificidades da idade são pontos-chave para um bom diagnóstico e um tratamento eficaz para as condições que estejam se desenvolvendo. A avaliação de outros profissionais, como psicopedagogos, psicólogos e fonoaudiólogos, são de fundamental importância, pois como vimos, essa é uma condição que afeta o desenvolvimento da criança e do adolescente nas diferentes esferas de sua vida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Dr. Miguel Angelo Boarati<br />
Psiquiatra da Infância e Adolescência<br />
Coordenador do Ambulatório de Transtornos Afetivos<br />
PRATA-SEPIA IPq-HCFMUSP</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Entrevista Jovem Pan – 03/05/2010 Depressão e transtorno bipolar na infância e adolescência</title>
		<link>http://www.viversaude.com.br/entrevista-jovem-pan-%e2%80%93-03052010-depressao-e-transtorno-bipolar-na-infancia-e-adolescencia/</link>
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		<pubDate>Thu, 20 Jan 2011 16:42:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Boarati</dc:creator>
				<category><![CDATA[Psiquiatria]]></category>

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		<description><![CDATA[Questões sobre depressão infantil Doutor, por favor, explique quais são os seus atuais trabalhos e pesquisas? Eu sou coordenador do ambulatório do Programa de Transtornos Afetivos do Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência (PRATA-SEPIA), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Questões sobre depressão infantil</strong></p>
<p><strong>Doutor, por favor, explique quais são os seus atuais trabalhos e pesquisas?</strong><br />
Eu sou coordenador do ambulatório do Programa de Transtornos Afetivos do Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência (PRATA-SEPIA), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo psiquiatra junto à Fundação CASA, através do<br />
Núcleo de Psiquiatria Forense do HC.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como os pais podem identificar que as crianças estão em depressão?</strong><br />
Os pais podem identificar através da mudança no comportamento da criança e em alterações na forma dela se relacionar com os amigos, com os próprios pais, irmãos, professores. A queda do rendimento escolar, o desenvolvimento de alguns medos e a perda de interesses são bons parâmetros para indicar que há algo errado e que pode se tratar de um quadro de depressão.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Crianças que vivem em grandes cidades e têm mais dificuldade de brincar com os </strong><strong>seus amiguinhos, só assistem televisão e passam o dia sozinhas. Isto pode estar </strong><strong>relacionado com depressão infantil?</strong><br />
A depressão é multifatorial independente da idade de início. No caso da depressão infantil existe a influência de fatores genéticos (história familiar de depressão), fatores ambientais (sofre assédio moral na escola, ausência das figuras parentais, conflitos domésticos, etc) e fatores psicológicos (crianças muito rígidas e pouco flexíveis). Não existe, no entanto uma relação causal direta com o fatos das crianças que vivem nas cidades grandes terem mais depressão por que ficam mais em casa, quando comparado com crianças que vivem no interior. Muitas vezes as crianças que estão nos grandes centros podem ter acesso a mais locais de lazer e possuírem pais mais instruídos e atentos e por essa razão estarem mais protegidos de ficarem deprimidos, do que crianças que estão em pequenas cidades, mas sem acesso a educação, saúde e outros indicadores de desenvolvimento humano.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Houve um crescimento dos casos de depressão infantil?</strong><br />
A depressão está aumentando em todas as faixas etárias, inclusive na infância. Além disso, tem sido dado mais atenção ao comportamento e às reações que as crianças apresentam no sentido de buscar ajuda necessária para entender o que está acontecendo. No passado quando uma criança ficava deprimida e começava a ir mal na escola, ela era severamente punida e tratada como &#8220;preguiçosa&#8221; e &#8220;insolente&#8221;, sendo que muitas vezes era um quadro de depressão que havia se instalado, podendo muitas vezes se complicar e cronificar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- É muito comum depressão infantil? Existem estimativas de quantas crianças tem </strong><strong>depressão no Brasil, e no mundo? Em relação aos adultos, existem estimativas </strong><strong>também? Gostaria de comparar.</strong><br />
Apesar do crescimento na incidência mundial da depressão, mesmo na infância é um fenômeno raro, quando se avalia a população em geral. Não existem trabalhos com enfoque epidemiológico na população brasileira que possam dizer a sua incidência, mas acredita-se que em torno de 5% das crianças possam sofrer de depressão em diferentes graus e intensidades.<br />
A depressão na criança é muito dificil de ser diagnosticada, porque as crianças muitas vezes não conseguem nomear adequadamente seus sentimentos de tristeza, angústia e desesperança. Por essa razão em estudos populacionais haverá uma maior incidência de Transtornos Depressivos nos adultos quando comparados com as crianças e os adolescentes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- A gente tem sempre a idéia de que na infância é que a vida era boa, que não </strong><strong>tínhamos nem tristeza. Mas a depressão infantil põe abaixo este conceito romântico.</strong><br />
<strong>Qual seria o real motivo para uma criança entrar em depressão? Qual a relação com os pais? É genético? Qual a influencia que a família (não só geneticamente) tem nestes casos? Existe alguma relação com drogas?</strong><br />
Essa é realmente uma visão romanceada da infância. É claro que a maioria das crianças quando ficam tristes não estão deprimidas. Tristeza é um sentimento normal e desejável, pois fala de uma reação a algo que não gostamos e que queremos mudar.<br />
Depressão é uma doença, onde ocorre uma perda na capacidade de reagir às<br />
situações da vida de forma mais adequada. O sentimento estagna no polo da<br />
tristeza, apatia, desinteresse. Ocorre a perda da capacidade de sentir prazer,<br />
dificuldades atencionais e de tomar decisões, queixas físicas como perda de apetite ou do sono, além de dores sem causas físicas. A criança passa a apresentar pensamentos mórbidos e idéias de morte. Esse quadro persiste independente do que se faça externamente para essa criança (como por exemplo, dar-lhe um brinquedo).<br />
Como já falei existe componentes genéticos envolvidos na causa da depressão, mas também situações ambientais complexas como conflitos parentais, baixo nível sócioeconômico, vivência de abusos físicos, sexuais e emocionais, etc.<br />
Pais ausentes, portadores de patologias psíquicas ou com baixa continência podem contribuir para a instalação e piora do quadro depressivo na infância. Muitas vezes é fundamental que seja feito um tratamento da família juntamente com a criança, sem a qual o sucesso desse tratamento está comprometido.<br />
Já as drogas podem surgir mais tardiamente na vida dessa criança e adolescente que já deprimidos procuram um alívio para a sua dor emocional.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Como foi detectado o primeiro (ou os primeiros casos) de depressão infantil.</strong><br />
Existem relatos de depressão em crianças em trabalhos clássicos de mais um século atrás. Entretanto esse assunto foi durante muitos anos negligenciado e até negado por especialistas do mundo. A maior importância tem sido dada a esse tema nos últimos vinte anos, com o crescimento da produção científica nesse sentido.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>-Existe algum caso notável. Quais são os casos mais comuns?</strong><br />
Existem alguns escritores portadores de transtorno bipolar (uma doença do humor, que cursa com períodos de depressão e de mania) que relatam que desde criança já apresentavam queixas depressivas.<br />
Normalmente a depressão na infância não aparece como um quadro mais grave, podendo muitas vezes ser ignorada porque a criança muda seu comportamento, mas não se torna agressiva ou apresenta transtornos significativos. Esse quadro (que chamamos de distimia, que é uma depressão leve, porém crônica cujo diagnóstico é feito a partir de um ano de persistência dos sintomas) pode durar todo o final da infância, passando pela adolescência e se perpetuando na vida adulta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Até onde pode ir a depressão infantil?</strong><br />
O quadro pode se tornar muito grave, com o desenvolvimento de sintomas<br />
psicóticos (alucinações e delírios com conteúdos depressivos). A criança pode ouvir vozes que a ofende e falam que ela é ruim, ou a crença de que ela é culpada pelo mal que existe no mundo. Outros casos podem cursar com ideação e tentativas de suicídio.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Como é feito o tratamento?</strong><br />
O tratamento envolve o uso de todos os recursos necessários para restabelecer o humor normal da criança. Pode ser utilizados medicações antidepressivas, psicoterapias (nas diferentes modalidades), terapia familiar, abordagem psicopedagógica, entre outras.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Como funcionaria a terapia. Diz-se que crianças tendem a misturar fantasia e realidade.</strong><br />
A criança sabe diferenciar a fantasia da realidade, pois quando ela está bem existe a capacidade de conhecer os limites entre elas. A psicoterapia, entre elas a ludoterapia (terapia realizada com brinquedos) ajuda a criança a fortalecer seus recursos egóicos e re-significar seus conflitos, a fim de que possa aprender a lidar com sentimentos ruins.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Uma criança que teve depressão tem mais chances de se tornar um adulto com depressão?</strong><br />
Sem dúvida, principalmente quando o quadro não identificado e tratado<br />
adequadamente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- A depressão infantil pode acarretar em outros problemas no futuro?</strong><br />
Sim, crianças com depressão podem apresentar fracassos escolares, problemas de sociabilização, ansiedade, fobias, relacionamento familiar insatisfatório, abuso de substâncias psicoativas, etc.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Existe algum estudo novo sobre o tema?</strong><br />
A todo o momento está sendo publicado trabalhos sobre depressão infantil por grupos que estudam esse tema em profundidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Quais são os principais estudos sobre o tema?</strong><br />
Existem estudos correlacionando depressão infantil com problemas de sono, estudos genéticos, de alterações do ritmo circadiano (sono-vigília), estudos neuropsicológicos e de perfil emocional e também estudos com neuroimagem.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Questões sobre o transtorno bipolar na infância e adolescência</strong><br />
<strong>- Definição do transtorno bipolar. Quais são os tratamentos?</strong><br />
O transtorno bipolar é uma doença mental grave que afeta diretamente o humor e as emoções do paciente. O indivíduo alterna períodos de depressão maior, com risco de suicídio e períodos em que fica em estado de grande euforia, arrogância e agitação, conhecido como episódio de mania. O paciente também pode apresentar o estado misto, onde apresenta depressão e mania simultaneamente. Quando esse diagnóstico acontece em crianças e adolescentes costumamos ver quadros mais severos, com importante oscilação do humor (às vezes a criança apresenta fases de depressão e mania várias vezes no mesmo dia), e uma maior incidência de estados mistos.<br />
O tratamento é multidisciplinar sendo fundamental a estabilização do humor com o uso de medicações chamadas Estabilizadores do Humor. Além disso, é muito importante o tratamento psicológico, terapia e orientação familiar e atendimento psicopedagógico, pois essas crianças e adolescentes apresentam sérios problemas de aprendizado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Como diagnosticar o problema? É mais decorrente em que faixa etária e </strong><strong>classe social?</strong><br />
O diagnóstico é feito por psiquiatra da infância e adolescência após avaliação clínica.<br />
Normalmente esse quadro ocorre mais frequentemente no final da adolescência, assim como outros transtornos psiquiátricos como a esquizofrenia. Entretanto, em nossa experiência e por estarmos em um serviço de referência nacional, temos feito o diagnóstico em pré-adolescentes (abaixo dos 10 anos de idade) e também em crianças muito pequenas, abaixo dos 06 anos (essa faixa etária é conhecida como pré-escolar).<br />
Não há um nível sócio-econômico e cultural de maior incidência, mas obviamente quanto mais baixo for esse nível, mais difícil será o acesso ao tratamento e estressores psicossociais estarão presentes em maior grau, piorando a evolução do quadro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Estima-se que quantas pessoas da população mundial sofram desse problema? E no Brasil?</strong><br />
Acredita-se por estimativas mundiais que cerca de 1% da população sofra do<br />
Transtorno Bipolar tipo I (que cursa com quadros bem definidos de mania e<br />
depressão), sendo essa estimativa a mesma para o Brasil. Entretanto quando se considera o espectro bipolar (cuja apresentação clínica é menos clara e específica, mas também significativamente grave com sérias consequências na vida prática do indivíduo), gira em torno de 10% da população.<br />
Com relação ao Transtorno Bipolar de início na infância e adolescência não há dados epidemiológicos confiáveis, principalmente no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Fale um pouco a respeito do livro &#8220;Transtorno bipolar na infância e </strong><strong>adolescência &#8211; Aspectos clínicos e comorbidades&#8221;.</strong><br />
Esse livro foi lançado no ano passado com a proposta de possibilitar ao público brasileiro informações atualizadas e com rigor científico, mas com uma leitura acessível a pais, professores e profissionais de saúde falando sobre o Transtorno Bipolar de início precoce.<br />
Toda a literatura nessa área é estrangeira e até bem pouco tempo sem tradução para o português.<br />
O principal enfoque do livro é abordar, além dos aspectos clínicos, as principais comorbidades psiquiátricas que acometem o transtorno bipolar na infância e adolescência.<br />
Chamamos de comorbidade a coexistência de duas patologias diferentes e<br />
independentes, mas que ao existirem simultaneamente dificultam o diagnóstico tornam o quadro mais grave e refratário, além de piorar a evolução do mesmo, como acontece, por exemplo, em alguém que possui ao mesmo tempo hipertensão arterial, diabetes e hipercolesterolemia.<br />
Tivemos a sorte de contar com excelentes colaboradores de centros de pesquisa de referência nacional e também do próprio SEPIA, que puderam falar dessas comorbidades psiquiátricas que acometem o transtorno bipolar, como o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade e o abuso de substâncias.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Entrevista Folha Região de Araçatuba de 04/03/2010</title>
		<link>http://www.viversaude.com.br/entrevista-folha-regiao-de-aracatuba-de-04032010/</link>
		<comments>http://www.viversaude.com.br/entrevista-folha-regiao-de-aracatuba-de-04032010/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 20 Jan 2011 16:41:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Boarati</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[- Dr, por favor, explique quais são os seus atuais trabalhos e pesquisas? Eu sou coordenador do ambulatório do Programa de Transtornos Afetivos do Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência (PRATA-SEPIA), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq-HCFMUSP).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>- Dr, por favor, explique quais são os seus atuais trabalhos e pesquisas?</strong><br />
Eu sou coordenador do ambulatório do Programa de Transtornos Afetivos do Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência (PRATA-SEPIA), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq-HCFMUSP). Também atuo como psiquiatra junto à Fundação CASA, através do Núcleo de Psiquiatria Forense do HC.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Definição do transtorno bipolar. Quais são os tratamentos?</strong><br />
O Transtorno Bipolar é uma doença mental grave que afeta diretamente o humor e as emoções do paciente. O indivíduo alterna períodos de depressão maior, com risco de suicídio e períodos em que fica em estado de grande euforia, arrogância e agitação, conhecido como episódio de mania. O paciente também pode apresentar o estado misto, onde apresenta depressão e mania simultaneamente. Quando esse diagnóstico acontece em crianças e adolescentes, costumamos ver quadros mais severos, com importante oscilação do humor (às vezes a criança apresenta fases de depressão e mania<br />
várias vezes no mesmo dia), e uma maior incidência de estados mistos.<br />
O tratamento é multidisciplinar sendo fundamental a estabilização do humor com o uso de medicações chamadas Estabilizadores do Humor. Além disso, é muito importante o tratamento psicológico, terapia e orientação familiar<br />
e atendimento psicopedagógico, pois essas crianças e adolescentes apresentam sérios problemas de aprendizado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Como diagnosticar o problema? É mais decorrente em que faixa etária e </strong><strong>classe social?</strong><br />
O diagnóstico é feito por psiquiatra da infância e adolescência após avaliação clínica. Normalmente esse quadro ocorre mais frequentemente no final da adolescência, assim como outros transtornos psiquiátricos como a<br />
esquizofrenia. Entretanto, em nossa experiência e por estarmos em um serviço de referência nacional, temos feito o diagnóstico em pré-adolescentes (abaixo dos 10 anos de idade) e também em crianças muito pequenas, abaixo dos 06 anos (essa faixa etária é conhecida como pré-escolar).<br />
Não há um nível sócio-econômico e cultural de maior incidência, mas obviamente quanto mais baixo for esse nível, mais difícil será o acesso ao tratamento e estressores psicossociais estarão presentes em maior grau,<br />
piorando a evolução do quadro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>- Estima-se que quantas pessoas da população mundial sofram desse problema? E no Brasil?</strong><br />
Acredita-se por estimativas mundiais que cerca de 1% da<br />
população sofra do Transtorno Bipolar tipo I (que cursa com<br />
quadros bem definidos de mania e depressão), sendo essa<br />
estimativa a mesma para o Brasil. Entretanto quando se<br />
considera o espectro bipolar (cuja apresentação clínica é<br />
menos clara e específica, mas também significativamente<br />
grave com sérias consequências na vida prática do<br />
indivíduo), gira em torno de 10% da população.<br />
Com relação ao Transtorno Bipolar de início na infância e<br />
adolescência não há dados epidemiológicos confiáveis,<br />
principalmente no Brasil<br />
- Na palestra de amanhã em Araçatuba, o que será abordado?<br />
A proposta da palestra de amanhã, que é dirigida para pais,<br />
é enfocar o desenvolvimento normal da criança e os fatores<br />
que influenciam nesse desenvolvimento. Alertar para os<br />
principais sinais que possam sugerir que aquela criança ou<br />
adolescente sofra de algum transtorno mental.<br />
Apesar de toda a informação que veicula hoje em dia, é<br />
comum que muitas pessoas acreditem que criança e<br />
adolescente não apresente transtornos mentais como<br />
depressão e pânico. Sendo assim, não há procura por<br />
atendimento médico ou psicológico e o quadro se torna mais<br />
grave e muitas vezes refratário a tratamento.<br />
Além disso, o poder público ainda investe pouco na saúde<br />
mental da criança e adolescente. A rede pública é bastante<br />
carente de serviços e profissionais preparados para atender<br />
a essa demanda.<br />
- Fale um pouco a respeito do livro &#8220;Transtorno bipolar na<br />
infância e<br />
adolescência &#8211; Aspectos clínicos e comorbidades&#8221;.<br />
Esse livro foi lançado no ano passado com a proposta de<br />
possibilitar ao público brasileiro informações atualizadas<br />
e com rigor científico, mas com uma leitura acessível a<br />
pais, professores e profissionais de saúde falando sobre o<br />
Transtorno Bipolar de início precoce.<br />
Toda a literatura nessa área é estrangeira e até bem pouco<br />
tempo sem tradução para o português.<br />
O principal enfoque do livro é abordar, além dos aspectos<br />
clínicos, as principais comorbidades psiquiátricas que<br />
acometem o Transtorno Bipolar na Infância e Adolescência.<br />
Chamamos de comorbidade a coexistência de duas patologias<br />
diferentes e independentes, mas que ao existirem<br />
simultaneamente dificultam o diagnóstico torna o quadro<br />
mais grave e refratário, além de piorar a evolução do<br />
mesmo, como acontece, por exemplo, em alguém que possui ao<br />
mesmo tempo hipertensão arterial, diabetes e<br />
hipercolesterolemia.<br />
Tivemos a sorte de contar com excelentes colaboradores de<br />
centros de pesquisa de referência nacional e também do<br />
próprio SEPIA, que puderam falar dessas comorbidades<br />
psiquiátricas que acometem o Transtorno Bipolar, como o<br />
Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade e o Abuso<br />
de Substâncias.<br />
- Com relação à personagem da novela das oito, Viver a<br />
Vida, Rafaela, como<br />
podemos caracterizá-la? Ela se enquadra no perfil bipolar<br />
ou já é outro caso<br />
clínico? Realmente existem crianças assim? Como proceder,<br />
tratar e<br />
diagnosticar?<br />
Não costumo assistir a novelas por pura falta de tempo, mas<br />
recentemente observei aquela menina e puder concluir que se<br />
tratava de um Transtorno de Conduta. Não há nada no quadro<br />
dela que lembre o Transtorno Bipolar.<br />
O Transtorno de Conduta, que quando não tratado pode<br />
evoluir para um Transtorno de Personalidade Antissocial, é<br />
caracterizado pela ausência de culpa e atitudes<br />
provocativas de forma intencional, além de fazer maldades<br />
com a finalidade de obter vantagens. É considerado um<br />
desvio da formação de caráter. Pelo que pude perceber em<br />
uma cena, ela chantageia a protagonista Helena, por puro<br />
prazer de deixá-la constrangida. Lembro que ela dizia &#8220;&#8230;<br />
você é quem tem que ter medo de mim&#8221; (quando ameaçou contar<br />
para o marido dela que a mesma teria beijado outro homem).<br />
Havia sadismo e prazer naquela provocação e o desejo de<br />
intimidar e obter algum ganho.<br />
Existem crianças assim, sendo muitas vezes difícil o<br />
diagnóstico.<br />
Quando bem realizado, o tratamento inicialmente é focado na<br />
terapia familiar e na terapia individual, principalmente na<br />
abordagem cognitivo-comportamental.<br />
- Quando em tratamento, quais são os cuidados com esta<br />
criança? No que os<br />
pais precisam ficar mais atentos? Existe cura?<br />
É importante lembrarmos que se trata de uma criança, cujo<br />
padrão moral e ético está sendo construído. Ao perceber uma<br />
tendência a esse diagnóstico, que reforço deve ser feito<br />
com muito critério e por profissional especializado, deve<br />
ser focado no trabalho desses conceitos morais e no<br />
desenvolvimento de aspectos mais saudáveis da<br />
personalidade.<br />
A avaliação através de testes projetivos de personalidade<br />
pode ajudar a nortear a forma que essa psicoterapia deverá<br />
ser conduzida.<br />
Os pais devem ser constantemente orientados e apoiados e é<br />
fundamental colocar que, castigos físicos e violência<br />
doméstica pioram de forma significativa a evolução clínica.<br />
Estamos falando de um desvio moral de uma personalidade em<br />
desenvolvimento e não de uma doença, por isso não<br />
utilizamos o conceito de cura, mas de prevenção e cuidado.<br />
Mas existe sim a possibilidade de ajudar tanto a essa<br />
criança e adolescente, quanto aos seus pais e familiares.<br />
- Relatos de casos reais parecidos com o de Rafaela? Não é<br />
necessário citar<br />
nomes reais.<br />
No momento não tenho nenhum exemplo claro, mas em nosso<br />
livro há um capítulo muito bem escrito pelo nosso colega<br />
Dr. Paulo Germano que aborda o Transtorno de Conduta (TC) e<br />
o Transtorno Desafiador de Oposição (TDO) em comorbidade<br />
com o Transtorno Bipolar (TB) na infância e adolescência.<br />
Nesse capítulo ele descreve bem o diagnóstico tanto do TC<br />
como o TDO, a coexistência com TB e no final há dois casos<br />
clinicos.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<br />
&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<br />
Folha_da_Região_Araçatuba<br />
www.folhadaregiao.com.br</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Entrevista: Depressão em Crianças e Adolescentes.</title>
		<link>http://www.viversaude.com.br/entrevista-depressao-em-criancas-e-adolescentes-2/</link>
		<comments>http://www.viversaude.com.br/entrevista-depressao-em-criancas-e-adolescentes-2/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 20 Jan 2011 16:38:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>webmaster</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[- Como os pais podem identificar que as crianças estão em depressão? Os pais podem identificar através da mudança no comportamento da criança e em alterações na forma dela se relacionar com os amigos, com os próprios pais, irmãos, professores. A queda do rendimento escolar, o desenvolvimento de alguns medos]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>- Como os pais podem identificar que as crianças estão em depressão?</strong><br />
<em>Os pais podem identificar através da mudança no comportamento da criança e em alterações na forma dela se relacionar com os amigos, com os próprios pais, irmãos, professores. A queda do rendimento escolar, o desenvolvimento de alguns medos e a perda de interesses são bons parâmetros para indicar que há algo errado e que pode se tratar de um quadro de depressão.</em></p>
<p><strong>- De acordo com as minhas pesquisas, a criança fica apática, não quer brincar, se isola, fica quietinha o tempo inteiro, não se socializa. Posso dizer que exatamente o contrário da criança levada?</strong><br />
<em>Talvez represente (se não for um caso muito evidente de depressão) o sonho de todos os pais que trabalham muito, não têm tempo para educar e se preocupar com traquinagens.</em></p>
<p><strong>Este pensamento está correto? Isto ocorre?<br />
</strong><em>A criança quando se deprime muda seu comportamento de forma significativa. Algumas ficam mais tristes e quietas, outras mais irritadas e intolerantes, entretanto o ponto mais comum a todas é a perda de prazer e da capacidade de se divertir que chamamos de anedonia. Algumas crianças com depressão podem ficar mais &#8220;levadas&#8221; por estarem se sentindo mal e desejarem fazer algo para se livrarem daquilo que elas estão sentido. Normalmente há uma queda no rendimento escolar e na sociabilização também.<br />
Normalmente, mesmo com pais muito ocupados, esse tipo de comportamento costuma chamar a atenção deles e causar certa preocupação, o que os leva a procurar algum tipo de ajuda.</em></p>
<p><strong>- Crianças que vivem em grandes cidades e têm mais dificuldade de brincar com os seus amiguinhos, só assistem televisão, passam o dia sozinhas. Isto pode estar relacionado com depressão infantil?<br />
</strong><em>A depressão é multifatorial independente da idade de início. No caso da depressão infantil existe a influência de fatores genéticos (história familiar de depressão), fatores ambientais (sofre assédio moral na escola, ausência das figuras parentais, conflitos domésticos, etc) e fatores psicológicos (crianças muito rígidas e pouco flexíveis). Não existe, no entanto uma relação causal direta com o fato das crianças que vivem nas cidades grandes terem mais depressão por que ficam mais em casa, quando comparado com crianças que vivem no interior. Muitas vezes as crianças que estão nos grandes centros podem ter acesso a mais locais de lazer e possuírem pais mais instruídos e atentos e por essa razão estarem mais protegidos de ficarem deprimidos, do que crianças que estão em pequenas cidades mas sem acesso a educação, saúde e outros indicadores de desenvolvimento humano.</em></p>
<p><strong>- Houve um crescimento dos casos de depressão infantil?<br />
</strong>A depressão está aumentando em todas as faixas etárias, inclusive na infância. Além disso, tem sido dada mais atenção ao comportamento e às reações que as crianças apresentam no sentido de buscar ajuda necessária para entender o que está acontecendo. No passado quando uma criança ficava deprimida e começava a ir mal na escola, ela era severamente punida e tratada como &#8220;preguiçosa&#8221; e &#8220;insolente&#8221;, sendo que muitas vezes era um quadro de depressão que havia se instalado, podendo muitas vezes se complicar e cronificar.</p>
<p><strong>- É muito comum depressão infantil? Existem estimativas de quantas crianças tem depressão no Brasil, e no mundo? Em relação aos adultos, existem estimativas também? Gostaria de comparar.<br />
</strong>Apesar do crescimento na incidência mundial da depressão, mesmo na infância é um fenômeno raro, quando se avalia a população em geral. Não existem trabalhos com enfoque epidemiológico na população brasileira que possam dizer a sua incidência, mas acredita-se que em torno de 5% das crianças possam sofrer de depressão em diferentes graus e intensidades.<br />
A depressão na criança é muito dificil de ser diagnosticada, porque as crianças muitas vezes não conseguem nomear adequadamente seus sentimentos de tristeza, angústia e desesperança. Por essa razão em estudos populacionais haverá uma maior incidência de Transtornos Depressivos nos adultos quando comparados com as crianças e os adolescentes.</p>
<p><strong>- A gente tem sempre a idéia de que na infância é que a vida era boa, que não tínhamos nem tristeza. Mas a depressão infantil põe abaixo este conceito romântico. Qual seria o real motivo para uma criança entrar em depressão? Qual a relação com os pais? É genético? Qual a influencia que a família (não só geneticamente) tem nestes casos? Existe alguma relação com drogas?<br />
</strong><em>Essa é realmente uma visão romanceada da infância. É claro que a maioria das crianças quando ficam tristes não estão deprimidas. Tristeza é um sentimento normal e desejável, pois fala de uma reação a algo que não gostamos e que queremos mudar.<br />
Depressão é uma doença, onde ocorre uma perda na capacidade de reagir às situações da vida de forma mais adequada. O sentimento estagna no polo da tristeza, apatia, desinteresse. Ocorre a perda da capacidade de sentir prazer, dificuldades atencionais e de tomar decisões, queixas físicas como perda de apetite ou do sono, além de dores sem causas físicas. A criança passa a apresentar pensamentos mórbidos e idéias de morte. Esse quadro persiste independente do que se faça externamente para essa criança (como por exemplo, dar-lhe um brinquedo).<br />
Como já falei existe componentes genéticos envolvidos na causa da depressão, mas também situações ambientais complexas como conflitos parentais, baixo nível sócio-econômico, vivência de abusos físicos, sexuais e emocionais, etc.<br />
Pais ausentes, portadores de patologias psíquicas ou com baixa continência podem contribuir para a instalação e piora do quadro depressivo na infância. Muitas vezes é fundamental que seja feito um tratamento da família juntamente com a criança, sem a qual o sucesso desse tratamento está comprometido.<br />
Já as drogas podem sugir mais tardiamente na vida dessa criança e adolescente que já deprimidos procuram um alívio para a sua dor emocional.</em></p>
<p><strong>- Como foi detectado o primeiro (ou os primeiros casos) de depressão infantil.<br />
</strong><em>Existem relatos de depressão em crianças em trabalhos clássicos de mais um século atrás. Entretanto esse assunto foi durante muitos anos negligenciados e até negado por especialistas do mundo. A maior importância tem sido dada a esse tema nos últimos vinte anos, com o crescimento da produção científica nesse sentido.</em></p>
<p><strong>-Existe algum caso notável. Quais são os casos mais comuns?<br />
</strong><em>Existem alguns escritores portadores de Transtorno Bipolar (uma doença do humor, que cursa com períodos de depressão e de mania) que relatam que desde criança já apresentavam queixas depressivas.<br />
Normalmente a depressão na infância não aparece como um quadro mais grave, podendo muitas vezes ser ignorada porque a criança muda seu comportamento, mas não se torna agressiva ou apresenta transtornos significativos. Esse quadro (que chamamos de Distimia, que é uma depressão leve, porém crônica cujo diagnóstico é feito a partir de um ano de persistência dos sintomas) pode durar todo o final da infância, passando pela adolescência e se perpetuando na vida adulta.</em></p>
<p><strong>- Até onde pode ir a depressão infantil?<br />
</strong><em>O quadro pode se tornar muito grave, com o desenvolvimento de sintomas psicóticos (alucinações e delírios com conteúdos depressivos). A criança pode ouvir vozes que a ofende e falam que ela é ruim, ou a crença de que ela é culpada pelo mal que existe no mundo. Outros casos podem cursar com ideação e tentativas de suicídio.</em></p>
<p><strong>- Como é feito o tratamento?<br />
</strong><em>O tratamento envolve o uso de todos os recursos necessários para restabelecer o humor normal da criança. Podem ser utilizados medicações antidepressivas, psicoterapias (nas diferentes modalidades), terapia familiar, abordagem psicopedagógica, entre outras.</em></p>
<p><strong>- Como funcionaria a terapia. Diz-se que crianças tendem a misturar fantasia e realidade.<br />
</strong><em>A criança sabe diferenciar a fantasia da realidade, pois quando ela está bem existe a capacidade de conhecer os limites entre elas. A psicoterapia, entre elas a ludoterapia (terapia realizada com brinquedos) ajuda a criança a fortalecer seus recursos egóicos e re-significar seus conflitos, a fim de que possa aprender a lidar com sentimentos ruins.</em></p>
<p><strong>- Uma criança que teve depressão tem mais chances de se tornar um adulto com depressão?<br />
</strong><em>Sem dúvida, principalmente quando o quadro não identificado e tratado adequadamente.</em></p>
<p><strong>- A depressão infantil pode acarretar em outros problemas no futuro?</strong><br />
<em>Sim, crianças com depressão podem apresentar fracassos escolares, problemas de sociabilização, ansiedade, fobias, relacionamento familiar insatisfatório, abuso de substâncias psicoativas, etc.</em></p>
<p><strong>- Existe algum estudo novo sobre o tema?<br />
</strong><em>A todo o momento está sendo publicados trabalhos sobre depressão infantil por grupos que estudam esse tema em profundidade.</em></p>
<p><strong>- Quais são os principais estudos sobre o tema?<br />
</strong><em>Existe estudos correlacionando depressão infantil com problemas de sono, estudos genéticos, de alterações do ritmo circadiano (sono-vigília), estudos neuropsicológicos e de perfil emocional e também estudos com neuroimagem.</em></p>
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		<title>Depressão Infanto-Juvenil</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Jan 2011 15:00:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Boarati</dc:creator>
				<category><![CDATA[Psiquiatria]]></category>

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		<description><![CDATA[- Como os pais podem identificar que as crianças estão em depressão? os pais podem identificar através da mudança no comportamento da criança e em alterações na forma dela se relacionar com os amigos, com os próprios pais, irmãos, professores. A queda do rendimento escolar, o desenvolvimento de alguns medos]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Como os pais podem identificar que as crianças estão em depressão?</p>
<p>os pais podem identificar através da mudança no comportamento da criança e em alterações na forma dela se relacionar com os amigos, com os próprios pais, irmãos, professores. A queda do rendimento escolar, o desenvolvimento de alguns medos e a perda de interesses são bons parâmetros para indicar que há algo errado e que pode se tratar de um quadro de depressão.</p>
<p>- De acordo com as minhas pesquisas, a criança fica apática, não quer brincar, se isola, fica quietinha o tempo inteiro, não se socializa. Posso dizer que exatamente o contrário da criança levada? Talvez represente (se não for um caso muito evidente de depressão) o sonho de todos os pais que trabalham muito, não têm tempo para educar e se preocupar com traquinagens. Este pensamento está correto? Isto ocorre?</p>
<p>A criança quando se deprime muda seu comportamento de forma significativa. Algumas ficam mais tristes e quietas, outras mais irritadas e intolerantes, entretanto o ponto mais comum a todas é a perda de prazer e da capacidade de se divertir que chamamos de anedonia. Algumas crianças com depressão podem ficar mais &#8220;levadas&#8221; por estarem se sentindo mal e desejarem fazer algo para se livrarem daquilo que elas estão sentido. Normalmente há uma queda no rendimento escolar e na sociabilização também.</p>
<p>Normalmente, mesmo com pais muito ocupados, esse tipo de comportamento costuma chamar a atenção deles e causar certa preocupação, o que os leva a procurar algum tipo de ajuda.</p>
<p>- Crianças que vivem em grandes cidades e têm mais dificuldade de brincar com os seus amiguinhos, só assistem televisão, passam o dia sozinhas. Isto pode estar relacionado com depressão infantil?</p>
<p>A depressão é multifatorial independente da idade de início. No caso da depressão infantil existe a influência de fatores genéticos (história familiar de depressão), fatores ambientais (sofre assédio moral na escola, ausência das figuras parentais, conflitos domésticos, etc) e fatores psicológicos (crianças muito rígidas e pouco flexíveis). Não existe, no entanto uma relação causal direta com o fato das crianças que vivem nas cidades grandes terem mais depressão por que ficam mais em casa, quando comparado com crianças que vivem no interior. Muitas vezes as crianças que estão nos grandes centros podem ter acesso a mais locais de lazer e possuírem pais mais instruídos e atentos e por essa razão estarem mais protegidos de ficarem deprimidos, do que crianças que estão em pequenas cidades mas sem acesso a educação, saúde e outros indicadores de desenvolvimento humano.</p>
<p>- Houve um crescimento dos casos de depressão infantil?</p>
<p>A depressão está aumentando em todas as faixas etárias, inclusive na infância. Além disso, tem sido dada mais atenção ao comportamento e às reações que as crianças apresentam no sentido de buscar ajuda necessária para entender o que está acontecendo. No passado quando uma criança ficava deprimida e começava a ir mal na escola, ela era severamente punida e tratada como &#8220;preguiçosa&#8221; e &#8220;insolente&#8221;, sendo que muitas vezes era um quadro de depressão que havia se instalado, podendo muitas vezes se complicar e cronificar.</p>
<p>- É muito comum depressão infantil? Existem estimativas de quantas crianças tem depressão no Brasil, e no mundo? Em relação aos adultos, existem estimativas também? Gostaria de comparar.</p>
<p>Apesar do crescimento na incidência mundial da depressão, mesmo na infância é um fenômeno raro, quando se avalia a população em geral. Não existem trabalhos com enfoque epidemiológico na população brasileira que possam dizer a sua incidência, mas acredita-se que em torno de 5% das crianças possam sofrer de depressão em diferentes graus e intensidades.</p>
<p>A depressão na criança é muito dificil de ser diagnosticada, porque as crianças muitas vezes não conseguem nomear adequadamente seus sentimentos de tristeza, angústia e desesperança. Por essa razão em estudos populacionais haverá uma maior incidência de Transtornos Depressivos nos adultos quando comparados com as crianças e os adolescentes.</p>
<p>- A gente tem sempre a idéia de que na infância é que a vida era boa, que não tínhamos nem tristeza. Mas a depressão infantil põe abaixo este conceito romântico. Qual seria o real motivo para uma criança entrar em depressão? Qual a relação com os pais? É genético? Qual a influencia que a família (não só geneticamente) tem nestes casos? Existe alguma relação com drogas?</p>
<p>Essa é realmente uma visão romanceada da infância. É claro que a maioria das crianças quando ficam tristes não estão deprimidas. Tristeza é um sentimento normal e desejável, pois fala de uma reação a algo que não gostamos e que queremos mudar.</p>
<p>Depressão é uma doença, onde ocorre uma perda na capacidade de reagir às situações da vida de forma mais adequada. O sentimento estagna no polo da tristeza, apatia, desinteresse. Ocorre a perda da capacidade de sentir prazer, dificuldades atencionais e de tomar decisões, queixas físicas como perda de apetite ou do sono, além de dores sem causas físicas. A criança passa a apresentar pensamentos mórbidos e idéias de morte. Esse quadro persiste independente do que se faça externamente para essa criança (como por exemplo, dar-lhe um brinquedo).</p>
<p>Como já falei existe componentes genéticos envolvidos na causa da depressão, mas também situações ambientais complexas como conflitos parentais, baixo nível sócio-econômico, vivência de abusos físicos, sexuais e emocionais, etc.</p>
<p>Pais ausentes, portadores de patologias psíquicas ou com baixa continência podem contribuir para a instalação e piora do quadro depressivo na infância. Muitas vezes é fundamental que seja feito um tratamento da família juntamente com a criança, sem a qual o sucesso desse tratamento está comprometido.</p>
<p>Já as drogas podem sugir mais tardiamente na vida dessa criança e adolescente que já deprimidos procuram um alívio para a sua dor emocional.</p>
<p>- Como foi detectado o primeiro (ou os primeiros casos) de depressão infantil.</p>
<p>Existem relatos de depressão em crianças em trabalhos clássicos de mais um século atrás. Entretanto esse assunto foi durante muitos anos negligenciados e até negado por especialistas do mundo. A maior importância tem sido dada a esse tema nos últimos vinte anos, com o crescimento da produção científica nesse sentido.</p>
<p>-Existe algum caso notável. Quais são os casos mais comuns?</p>
<p>Existem alguns escritores portadores de Transtorno Bipolar (uma doença do humor, que cursa com períodos de depressão e de mania) que relatam que desde criança já apresentavam queixas depressivas.</p>
<p>Normalmente a depressão na infância não aparece como um quadro mais grave, podendo muitas vezes ser ignorada porque a criança muda seu comportamento, mas não se torna agressiva ou apresenta transtornos significativos. Esse quadro (que chamamos de Distimia, que é uma depressão leve, porém crônica cujo diagnóstico é feito a partir de um ano de persistência dos sintomas) pode durar todo o final da infância, passando pela adolescência e se perpetuando na vida adulta.</p>
<p>- Até onde pode ir a depressão infantil?</p>
<p>o quadro pode se tornar muito grave, com o desenvolvimento de sintomas psicóticos (alucinações e delírios com conteúdos depressivos). A criança pode ouvir vozes que a ofende e falam que ela é ruim, ou a crença de que ela é culpada pelo mal que existe no mundo. Outros casos podem cursar com ideação e tentativas de suicídio.</p>
<p>- Como é feito o tratamento?</p>
<p>O tratamento envolve o uso de todos os recursos necessários para restabelecer o humor normal da criança. Podem ser utilizados medicações antidepressivas, psicoterapias (nas diferentes modalidades), terapia familiar, abordagem psicopedagógica, entre outras.</p>
<p>- Como funcionaria a terapia. Diz-se que crianças tendem a misturar fantasia e realidade.</p>
<p>A criança sabe diferenciar a fantasia da realidade, pois quando ela está bem existe a capacidade de conhecer os limites entre elas. A psicoterapia, entre elas a ludoterapia (terapia realizada com brinquedos) ajuda a criança a fortalecer seus recursos egóicos e re-significar seus conflitos, a fim de que possa aprender a lidar com sentimentos ruins.</p>
<p>- Uma criança que teve depressão tem mais chances de se tornar um adulto com depressão?</p>
<p>Sem dúvida, principalmente quando o quadro não identificado e tratado adequadamente.</p>
<p>- a depressão infantil pode acarretar em outros problemas no futuro?</p>
<p>Sim, crianças com depressão podem apresentar fracassos escolares, problemas de sociabilização, ansiedade, fobias, relacionamento familiar insatisfatório, abuso de substâncias psicoativas, etc.</p>
<p>- Existe algum estudo novo sobre o tema?</p>
<p>A todo o momento está sendo publicados trabalhos sobre depressão infantil por grupos que estudam esse tema em profundidade.</p>
<p>- Quais são os principais estudos sobre o tema?</p>
<p>Existe estudos correlacionando depressão infantil com problemas de sono, estudos genéticos, de alterações do ritmo circadiano (sono-vigília), estudos neuropsicológicos e de perfil emocional e também estudos com neuroimagem.</p>
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		<title>A Terapia Comportamental</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Jan 2011 13:55:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lilian Boarati</dc:creator>
				<category><![CDATA[Psicologia]]></category>

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		<description><![CDATA[A Terapia Comportamental, atualmente conhecida como Terapia Analítico-Comportamental, está baseada nos princípios da aprendizagem de novos comportamentos e na filosofia Behaviorista Radical, que considera o ambiente o principal fator responsável pela aquisição, manutenção e modificação do comportamento humano. Esta linha terapêutica está comprometida com instrumentos terapêuticos que podem produzir mudanças]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A Terapia Comportamental, atualmente conhecida como Terapia Analítico-Comportamental, está baseada nos princípios da aprendizagem de novos comportamentos e na filosofia Behaviorista Radical, que considera o ambiente o principal fator responsável pela aquisição, manutenção e modificação do comportamento humano.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta linha terapêutica está comprometida com instrumentos terapêuticos que podem produzir mudanças no comportamento humano para tornar a vida do indivíduo mais funcional e adequada aos seus contextos e relações pessoais.</p>
<p style="text-align: justify;">O processo da Terapia Comportamental tem características, objetivos e funcionamento peculiares que a distingue das terapias psicodinâmicas. É uma terapia focada na análise de comportamentos e problemas atuais.</p>
<p style="text-align: justify;">A proposta terapêutica consiste em uma investigação e análise dos problemas apresentados pelo paciente, para uma definição de um programa de intervenção individualizado, com o objetivo de auxiliá-lo a desenvolver a auto-observação de seus comportamentos, dos comportamentos das pessoas que se relacionam com ele e dos efeitos destes comportamentos, assim como adquirir autoconhecimento e praticar novos comportamentos para a resolução de seus problemas e para uma melhor qualidade de vida e satisfação pessoal.</p>
<p style="text-align: justify;">A evolução da Terapia Comportamental pode ser subdividida em cinco etapas: (1) avaliação clínica das dificuldades e comportamentos problemas, (2) formulação e discussão das causas dos problemas apresentados na avaliação clínica, (3) intervenção terapêutica, composta de análises, exercícios, exposições e treinamentos de novos comportamentos, (4) acompanhamento dos resultados das intervenções feitas, (5) alta da terapia.</p>
<p style="text-align: justify;">A efetividade da Terapia Comportamental é representada pela emissão, estabilidade e satisfação dos novos comportamentos aprendidos, no decorrer do processo terapêutico, justificando, portanto, a saída da terapia. Neste momento, é possível visualizar uma nova dinâmica de vida.</p>
<p style="text-align: justify;">A indicação à Terapia Comportamental é feita para o tratamento de qualquer transtorno afetivo-emocional e comportamental que gere efeitos negativos nos diversos contextos da vida. É também recomendada para o tratamento dos transtornos da ansiedade (transtorno do pânico, agorafobia, transtorno da ansiedade generalizada, fobia social, fobias específicas, transtorno do estresse pós-traumático e transtorno obsessivo-compulsivo); transtornos afetivos (depressão, distimia e transtorno bipolar); transtornos alimentares (anorexia, bulimia, obesidade e compulsão alimentar periódica); disfunções sexuais (anorgasmia, ejaculação precoce, disfunção erétil e outras); retardo mental; autismo; transtornos dissociativos (esquizofrenia); transtornos da personalidade; dificuldades interpessoais (timidez, assertividade e habilidades sociais); problemas relacionados ao desenvolvimento e ao envelhecimento, relações afetivas entre casais e família, reabilitação da saúde física e neuropsicológica, morte e perdas, entre outros problemas da vida humana.</p>
<p style="text-align: justify;">O terapeuta comportamental convida o cliente a ser ativo no processo terapêutico e sua participação e empenho são elementos fundamentais para a vivência e sucesso desta terapia.</p>
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