Transtorno do Pânico. O que é e como tratar?

O Transtorno de Pânico é marcado por sintomas intensos de ansiedade. Sentimento de terror, sensação de morte, coração disparado, suor intenso, dores no peito e no corpo, falta de ar, tontura, sensação de enlouquecimento ou de estranhamento pessoal, são sinais de que algo terrível irá acontecer a qualquer momento e que nada é possível fazer para eliminar estes sintomas e evitar a crise do pânico. Angústia, frustração, impotência, depressão, isolamento afetivo-social aparecem naturamente na vida do indivíduo, como consequência de constantes vivencias deste terror emocional.  

Esta descrição se trata de um Ataque de Pânico, também conhecido como Crise do Pânico, uma situação que simboliza ao indivíduo o fim da sua vida, sua própria morte ou perda de sua sanidade mental e emocional. É possível ter um ataque de pânico, em algum momento da vida, sem que este ataque isolado represente um Transtorno de Pânico. No entanto, quando estes ataques de pânico são frequentes, o indivíduo é diagnosticado como portador ou sofredor do Transtorno de Pânico, que de acordo com o DSMIV-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 4 ed. revisada) é definido pela vivência constante e inesperada dos sintomas abaixo relacionados:

  • Palpitações ou taquicardia (batimento cardíaco acelerado)
  • Sudorese intensa (principalmente nas extremidades do corpo)
  • Tremores musculares
  • Sensação de falta de ar ou sufocamento
  • Sensação de asfixia ou nó na garganta
  • Dor ou desconforto físico
  • Náuseas
  • Dor abdominal (cólicas)
  • Sensação de tontura, vertigem ou desmaio
  • Sensação de irrealidade (estranheza com o ambiente) ou de despersonalização (estranheza consigo mesmo)
  • Medo de perder o controle de seus atos ou de enlouquecer
  • Medo de morrer
  • Sensação de anestesia ou de formigamento em partes do corpo
  • Calafrios ou ondas de calor

Todos estes sintomas, ou a maioria deles, estão presentes no momento do ataque de pânico e atinge o ápice de intensidade e desconforto em 10 minutos, podendo se estender, com menor intensidade, por até 40 minutos. Após o término desta crise ou ataque do pânico, o indivíduo se sente exaurido, sem energia física e emocional e o desejo de ficar em silêncio e ir para casa é grande. Alguns portadores dormem por muitas horas após a crise do pânico e muitos possuem vários despertares noturnos, em função do desajuste de um período regular do sono e, também, por serem surpreendidos e despertados pelo próprio ataque de pânico.

Outra característica bastante perturbadora deste transtorno é que os ataques de pânico ocorrem sem hora, nem data e local previsto. Como o indivíduo não consegue identificar quando estes ataques ocorrerão novamente e o que causa tais crises, é comum o indivíduo sentir uma forte ansiedade durante todo o dia e acreditar que toda e qualquer situação ambiental é uma situação de risco para o surgimento de novos ataques de pânico. Desta forma, o indivíduo inicia um ciclo de ter medo de novas exposições ambientais e pessoais e como tentativa de controle deste medo e da evitação de novas crises de pânico, o indivíduo começa a fugir e a evitar situações, pessoas, compromissos, responsabilidades, eventos sociais e familiares, isolando-se cada dia mais em seu próprio universo.

Quando isto ocorre, o indivíduo sente-se mais fortemente deprimido, fracassado e angustiado, o que o faz diminuir significativamente suas atividades diárias e relações pessoais, como por exemplo, interromper a faculdade, faltar ou pedir demissão do trabalho, recusar sair com amigos, terminar o namoro, ter conflitos nos relacionamentos afetivos, isolar-se no quarto, focar-se em atividades passivas e isoladas (internet, jogos eletrônicos, televisão). Percebe-se, então, uma mudança nos hábitos de vida e nos comportamentos do indivíduo. Neste cenário, há um enorme risco do transtorno de pânico evoluir negativamente e o indivíduo não conseguir mais sair de casa, restringindo completamente sua vida às atividades e relações ao ambiente familiar.

Diversos fatores contribuem para a gravidade do transtorno de pânico: as crenças que o indivíduo possui de que ele sofrerá um novo ataque de pânico a qualquer momento, desmaiar, morrer ou enlouquecer em locais públicos e na presença de pessoas estranhas ou pouco íntimas, a ideia de que ele estará mais seguro dentro de casa e de que terá mais controle sobre sua ansiedade, caso uma nova crise surja, pouca habilidade em lidar com a situação da crise do pânico, ou seja, não saber o que fazer quando a crise do pânico aparecer, falta de informação sobre o transtorno e os recursos para enfrentá-lo, e também o acolhimento da família em aceitar que o portador permaneça em casa para obter um maior conforto emocional, dado a intensidade do sofrimento do indivíduo, ou pelo esgotamento emocional da família, que tenta já algum tempo auxiliar o portador a enfrentar suas dificuldades, realizar um tratamento e resgatar sua saúde psicológica, entre outros fatores que precisam ser investigados e analisados no processo da terapia.

É importante ressaltar que o desenvolvimento de qualquer transtorno psicológico, assim como sua gravidade e extensão de comprometimento e prejuízo funcional, na vida do portador, varia muito de indivíduo para indivíduo. O fator genético predispõe o organismo do portador a desenvolver um tipo de transtorno psicológico, que somado a sua história de vida, experiências pessoais do passado ou atuais, principalmente as experiências mais aversivas, traumáticas, de maior intensidade emocional negativa, a educação e relação familiar, são responsáveis pelo desenvolvimento do transtorno. Desta forma, é possível perceber uma variação considerável das dificuldades de cada portador, de seu sofrimento e limitações.

Uma situação que frequentemente acompanha o transtorno do pânico é a Agorafobia, que se refere a um tipo de fobia ou medo generalizado, no qual o portador do transtorno de pânico sente um medo intenso e injustificável de estar em locais amplos, com muitas pessoas ao seu redor. Para o indivíduo, o medo se deve ao receio de passar mal ou de ter um ataque de pânico e não receber ajuda a tempo de sobreviver ou de não conseguir sair do local imediatamente ao aparecimento de um grande desconforto físico e emocional. Desta forma, o portador do Transtorno do Pânico com Agorafobia tende a evitar situações cotidianas diversas, como andar de ônibus, metro, elevador, avião, andar nas ruas, ir a shoppings, teatros, cinemas, restringindo, portanto, saídas de casa. É comum o portador depender da presença de pessoas íntimas e de confiança para enfrentar situações do cotidiano.

De acordo com o DSM-IV-TR, é possível uma pessoa desenvolver o Transtorno de Pânico com ou sem Agorafobia, assim como desenvolver Agorafobia sem o Transtorno de Pânico. Portanto, é fundamental o indivíduo ser avaliado por um médico psiquiatra para o diagnóstico correto do transtorno e posterior tratamento.

 Alguns diagnósticos deste transtorno costumam ser feitos por médicos clínicos de pronto atendimento dos hospitais. Isso ocorre porque os indivíduos que possuem os sintomas da ansiedade, caracterizado na crise ou ataque do pânico, procuram rapidamente ajuda em hospitais para tratar os sintomas e realizar vários exames em busca de resultados clínicos que comprove ter alguma doença biológica ou neurológica.

Após a descoberta da aquisição deste transtorno, feito ou confirmado por médicos especialistas psiquiatras, é importante que o portador inicie o tratamento para o enfrentamento e controle das crises de pânico. É comum o psiquiatra avaliar, junto com o portador, a gravidade de seu transtorno, investigando os sintomas da ansiedade e sua intensidade, no momento destas crises. Desta forma, o tratamento pode ser medicamentoso e psicoterapêutico ou apenas psicoterapêutico.

A Terapia Comportamental têm mostrado uma grande eficiência científica no tratamento psicoterapêutico para todos os tipos de Transtorno da Ansiedade e do Humor, neste caso, no Transtorno de Pânico, que é um tipo do Transtorno da Ansiedade, por conter inúmeros sintomas físicos, cognitivos e emocionais da ansiedade.

O objetivo principal da Terapia Comportamental é ensinar o portador a ter controle dos ataques de pânico e superar o transtorno. Outro objetivo associado ao processo psicoterapêutico, condizente a este transtorno, é ensinar o portador a reconhecer os fatores que causam suas crises de pânico. Este conhecimento é fundamental para que o portador possa desenvolver habilidades pessoais e estratégias de enfrentamento  importantes para eliminar as crises, dominar o transtorno, reestabelecer sua saúde psicológica e construir uma nova dinâmica de vida.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *